Pesquisadores da Universidade Federal Fluminense desenvolveram uma tecnologia inovadora que pode auxiliar na identificação precoce de sinais do Transtorno do Espectro Autista em bebês ainda nos primeiros meses de vida.
O método, já patenteado, utiliza um kit de baixo custo baseado na análise da resposta visual da criança a diferentes estímulos.
A ferramenta funciona a partir da observação do direcionamento do olhar do bebê diante de duas imagens semelhantes.
De acordo com a pesquisadora Diana Negrão, crianças com possíveis indícios do transtorno tendem a demonstrar maior interesse por objetos ou elementos menos relacionados à interação humana, em vez de rostos ou expressões faciais.
Um dos principais diferenciais da tecnologia é sua facilidade de aplicação. O kit não exige formação técnica especializada, o que permite seu uso em ambientes como creches e unidades de educação infantil, ampliando o alcance do rastreamento precoce.
Apesar do potencial, os pesquisadores destacam que o recurso não substitui o diagnóstico clínico. A confirmação do transtorno depende de avaliação profissional detalhada e do acompanhamento do desenvolvimento da criança.
A proposta é atuar como ferramenta complementar, facilitando a identificação inicial e possibilitando intervenções mais rápidas, especialmente em regiões com menor acesso a especialistas.
O projeto foi desenvolvido durante o doutorado da pesquisadora Gisele Soares do Nascimento, que recebeu diagnóstico de autismo apenas na infância.
A experiência pessoal foi determinante para a criação da tecnologia, com o objetivo de reduzir o tempo de identificação e ampliar o acesso ao cuidado precoce.
Após o registro da patente, a universidade pretende expandir os testes em diferentes contextos e buscar parcerias para viabilizar a produção e distribuição do kit em larga escala.
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