Autoridades de saúde da República Democrática do Congo (RDC) confirmaram a ocorrência de um surto de alta letalidade associado ao vírus ebola na província de Ituri, após registros iniciais de uma doença ainda não identificada no município de Mongbwalu. O episódio também envolveu mortes entre profissionais de saúde que atuavam na região.
Dias depois, análises realizadas pelo Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica, em Kinshasa, identificaram o vírus em amostras coletadas no distrito de Rwampara.
Dos 13 testes analisados, oito tiveram resultado positivo para o vírus Bundibugyo, uma das variantes do ebola.
Na última sexta-feira (15), o Ministério da Saúde Pública da RDC declarou oficialmente o 17º surto de ebola no país. No mesmo período, o Ministério da Saúde de Uganda confirmou um caso importado da doença, envolvendo um paciente congolês que morreu na capital Kampala.
No dia seguinte, a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou o cenário como uma emergência de saúde pública de importância internacional, após avaliar a expansão dos casos nos dois países africanos.
Segundo a entidade, o controle do surto depende de ações integradas, incluindo rastreamento de contatos, vigilância epidemiológica, suporte clínico, reforço laboratorial e protocolos seguros de sepultamento. Equipes de resposta rápida também foram mobilizadas.
O ebola é uma doença viral grave, transmitida inicialmente de animais para humanos e, posteriormente, entre pessoas por meio do contato com fluidos corporais infectados ou materiais contaminados.
A taxa média de letalidade é de cerca de 50%, podendo variar conforme o surto, segundo a OMS. O período de incubação varia entre dois e 21 dias, e a transmissão ocorre após o início dos sintomas, que incluem febre, fraqueza, dores no corpo e, em casos graves, hemorragias.
Como os sintomas podem ser semelhantes aos de outras doenças, como malária e febre tifoide, o diagnóstico depende de exames laboratoriais específicos.
No tratamento, a hidratação e o suporte clínico precoce são fundamentais. Existem vacinas e terapias para algumas variantes do ebola, como a Ervebo, mas não há tratamento específico aprovado para o vírus Bundibugyo até o momento.
As medidas de prevenção incluem evitar contato com pessoas infectadas, não manipular corpos sem proteção adequada, manter higiene rigorosa das mãos e evitar contato com animais silvestres potencialmente transmissores.
A OMS reforça ainda a necessidade de monitoramento de contatos por até 21 dias, período correspondente ao ciclo de incubação do vírus, como estratégia essencial para conter a disseminação.
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