O acesso aos exames e tratamentos contra o câncer de mama ganhou novas medidas no Brasil durante o Outubro Rosa. Desde 1º de outubro, os planos de saúde são obrigados a cobrir a mamografia digital independentemente da idade do paciente, desde que exista indicação médica. Na rede pública, o Sistema Único de Saúde (SUS) também ampliou as opções terapêuticas com a oferta de novos medicamentos para diferentes tipos de câncer, incluindo o de mama.
A mudança na cobertura dos planos privados foi estabelecida pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Antes da nova regra, a obrigatoriedade do exame era restrita à faixa etária de 40 a 69 anos. Com a atualização, pessoas fora desse intervalo também podem ter acesso à mamografia digital quando houver recomendação médica, incluindo pessoas não-binárias.
A mamografia é um dos principais exames utilizados para identificar alterações nas mamas e auxiliar no diagnóstico precoce da doença. A tecnologia digital permite obter imagens detalhadas do tecido mamário, contribuindo para a avaliação médica. A indicação e a escolha do exame dependem das características de cada paciente e da necessidade clínica.
SUS amplia faixa etária para rastreamento
Na rede pública, a mamografia continua sendo oferecida gratuitamente. Segundo o Ministério da Saúde, mais de quatro milhões de exames foram realizados no Brasil no ano passado.
O SUS ampliou a faixa etária recomendada para o rastreamento do câncer de mama, que passou a contemplar mulheres de 50 a 74 anos. Pessoas a partir dos 40 anos também podem realizar o exame quando houver indicação médica.
O rastreamento é direcionado a pessoas sem sintomas e busca identificar possíveis alterações antes do aparecimento de sinais da doença. Já a mamografia diagnóstica é solicitada quando há suspeita de câncer ou sintomas que precisam ser investigados.
Por isso, alterações nas mamas devem ser avaliadas por profissionais de saúde, mesmo quando a pessoa não está na faixa etária recomendada para o rastreamento.
SUS amplia acesso a medicamentos oncológicos
Outra medida anunciada pelo Ministério da Saúde envolve a disponibilização de novos medicamentos para o tratamento do câncer. Segundo Guacyra Pires, diretora do Departamento de Atenção ao Câncer da pasta, nove medicamentos passaram a ser oferecidos para três indicações diferentes da doença.
Entre as opções está o abemaciclibe, utilizado em determinados casos de câncer de mama. De acordo com o Ministério da Saúde, o tratamento pode custar mais de R$ 300 mil na rede privada, dependendo do esquema terapêutico.
O SUS também disponibiliza gratuitamente o trastuzumabe entansina, indicado para situações específicas de câncer de mama HER2 positivo. Esse tipo de tumor apresenta aumento da expressão da proteína HER2, característica que pode favorecer a multiplicação das células cancerígenas.
O medicamento atua de forma direcionada contra as células tumorais e pode beneficiar pacientes que atendam aos critérios clínicos para sua utilização. A escolha do tratamento depende de fatores como o subtipo do tumor, o estágio da doença e as condições de saúde da pessoa.
A ampliação das opções terapêuticas busca facilitar o acesso a tratamentos especializados na rede pública. A indicação de cada medicamento deve ser feita pela equipe responsável, de acordo com as características do caso.
Brasil registra cerca de 73 mil novos casos por ano
O Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima aproximadamente 73.610 novos casos de câncer de mama por ano no Brasil. A frequência da doença reforça a importância do diagnóstico precoce, do acompanhamento médico e do acesso aos tratamentos disponíveis.
Renata Maciel, chefe da Divisão de Detecção Precoce do Inca, orienta que alterações incomuns nas mamas sejam investigadas. Entre os sinais de atenção estão nódulos persistentes, mudanças na pele ou no formato da mama e saída espontânea de líquido pelo mamilo.
Esses sintomas não significam necessariamente a presença de câncer, mas precisam ser avaliados por um profissional de saúde. Ao perceber alguma alteração, a recomendação é procurar uma unidade de atendimento para receber orientação e realizar os exames necessários.
A investigação não deve ser adiada apenas porque a pessoa está fora da faixa etária recomendada para o rastreamento. Conforme os sintomas e a avaliação médica, podem ser indicados exames diagnósticos em diferentes idades.
Tratamento do câncer de mama é oferecido pelo SUS
Após a confirmação da doença, o SUS oferece diferentes modalidades de tratamento, conforme as necessidades de cada paciente. Entre elas estão cirurgia, reconstrução mamária, quimioterapia, radioterapia, hormonioterapia e terapias-alvo.
A definição do tratamento depende das características do tumor, do estágio da doença e das condições clínicas da pessoa. A identificação precoce pode ampliar as possibilidades terapêuticas e favorecer os resultados do acompanhamento.
A legislação brasileira estabelece que o primeiro tratamento de pacientes com câncer no SUS deve começar em até 60 dias após o diagnóstico confirmado em laudo patológico, ou em prazo menor quando a necessidade terapêutica assim exigir, conforme o registro no prontuário.
As mudanças na cobertura dos exames e a ampliação do acesso a medicamentos reforçam a importância de facilitar tanto a identificação da doença quanto o início do tratamento. Durante o Outubro Rosa, a orientação é seguir as recomendações de saúde e buscar atendimento diante de qualquer alteração suspeita.
*Compartilhe este conteúdo do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Estado do Rio.













