Após um período de revitalização, o histórico Pavilhão do Relógio voltou a receber visitantes nesta segunda-feira (1º), no campus da Fiocruz, em Manguinhos, na zona norte do Rio de Janeiro.
A reabertura do espaço é marcada pela inauguração da exposição gratuita “Favela Viva: enfrentamentos à pandemia de Covid-19 em Maré e Manguinhos”, que apresenta relatos e experiências vividos por moradores durante a crise sanitária.
A mostra reúne fotografias, depoimentos, objetos e atividades interativas que destacam os desafios enfrentados pelas comunidades e as estratégias criadas para lidar com os impactos da pandemia.
O conteúdo está organizado em oito módulos temáticos que combinam informações estatísticas, mapas, recursos táteis e jogos educativos voltados à conscientização e ao combate à desinformação.
O material exposto foi construído a partir de oficinas, entrevistas e ações participativas realizadas com moradores e estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA) das comunidades da Maré e de Manguinhos. Lideranças comunitárias, movimentos sociais e moradores também contribuíram diretamente para a produção do acervo, compartilhando registros e memórias do período.
Segundo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a exposição deverá circular por escolas, bibliotecas e centros culturais das duas comunidades a partir do segundo semestre, ampliando o acesso ao conteúdo e fortalecendo a preservação da memória coletiva sobre a pandemia.
Além da exposição presencial, a instituição lançou a mostra digital “Memórias da Covid”, que apresenta uma linha do tempo com os principais acontecimentos relacionados à pandemia entre dezembro de 2019 e maio de 2023.
O acervo virtual reúne documentos históricos, fotografias, reportagens e depoimentos de pesquisadores e profissionais que atuaram no enfrentamento da doença.
A reabertura do espaço também oferece ao público a oportunidade de conhecer as novas instalações do Pavilhão do Relógio, um dos edifícios mais antigos do campus de Manguinhos.
Construído em 1904, o prédio foi criado para apoiar as ações de combate à peste bubônica e desempenhou papel importante na produção de soros e vacinas ao longo da história da saúde pública brasileira.
Reconhecido por sua relevância histórica e arquitetônica, o imóvel é tombado desde 1981 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), consolidando-se como um dos símbolos do patrimônio científico e cultural do país.
A iniciativa busca não apenas preservar a memória dos impactos da Covid-19, mas também valorizar a participação das comunidades na construção de respostas coletivas diante de um dos maiores desafios sanitários da história recente.
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