Pesquisadores da Fundação do Câncer alertam para falhas significativas nos bancos de dados oficiais sobre câncer no Brasil, o que pode comprometer a elaboração de políticas públicas de prevenção, diagnóstico e tratamento da doença.
O estudo analisou informações dos Registros Hospitalares de Câncer (RHC), do Integrador dos Registros Hospitalares de Câncer (IRHC) e do Sistema de Informação sobre Mortalidade.
Segundo os pesquisadores, há lacunas relevantes em dados essenciais: em mais de 36% dos casos não há registro de raça ou cor da pele dos pacientes, enquanto cerca de 26% não possuem informação sobre escolaridade.
Para os especialistas, a ausência desses dados limita a compreensão das desigualdades sociais e raciais relacionadas à doença. O epidemiologista Alfredo Scaff, coordenador do estudo, destaca que essas informações são fundamentais em um país com alta exposição à radiação ultravioleta, fator diretamente associado ao câncer de pele.
A análise também identifica desigualdades regionais na qualidade dos registros. A região Sudeste apresentou os maiores índices de ausência de dados sobre raça e cor, chegando a mais de 66% nos casos de câncer de pele não melanoma e quase 69% no melanoma.
Já o Centro-Oeste concentrou a maior falta de informações sobre escolaridade, com até 74% de registros incompletos em alguns tipos da doença.
De acordo com o Instituto Nacional de Câncer, o câncer de pele é o mais frequente no país, com destaque para os tipos não melanoma, como carcinomas basocelular e espinocelular, além do melanoma, que é mais raro, porém mais agressivo.
Projeções do instituto indicam que entre 2026 e 2028 o Brasil deve registrar cerca de 263 mil novos casos anuais de câncer de pele não melanoma e aproximadamente 9,3 mil de melanoma.
A região Sul deve concentrar a maior incidência, além de taxas relevantes de mortalidade, especialmente entre homens.
Entre 2014 e 2023, o país registrou mais de 452 mil casos da doença. O câncer de pele não melanoma atinge mais homens, enquanto o melanoma acomete ambos os sexos de forma semelhante em todas as regiões.
O principal fator de risco continua sendo a exposição à radiação ultravioleta. O estudo ressalta que o risco não se limita à exposição solar em lazer, atingindo também trabalhadores expostos continuamente ao ar livre, como profissionais da construção civil, agricultura, limpeza urbana e segurança pública.
Os pesquisadores também alertam para riscos adicionais, como a exposição a fontes artificiais de radiação, incluindo câmaras de bronzeamento, e reforçam a importância de medidas de proteção como roupas adequadas, chapéus e óculos com proteção UV, além do uso de protetor solar.
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