Durante séculos, uma das maiores questões da história humana girou em torno da origem das pandemias que dizimaram populações e transformaram sociedades. Agora, um estudo sem precedentes publicado na revista Nature traz evidências concretas sobre esse fenômeno: a domesticação de animais e a vida em contato direto com eles foram os principais gatilhos para o surgimento de doenças que mudaram o destino da humanidade.
A pesquisa, liderada por cientistas da Universidade de Copenhague, analisou o DNA de 1.313 indivíduos que viveram até 37.000 anos atrás, examinando fragmentos genéticos preservados em dentes e ossos. O resultado foi um mapa detalhado da presença de patógenos ao longo da história da Eurásia — incluindo registros antigos de peste bubônica, lepra, febre recorrente e malária.
O dado mais impactante do estudo é a descoberta de que doenças zoonóticas — transmitidas de animais para humanos — só começaram a deixar marcas genéticas no ser humano há cerca de 6.500 anos. Esse período coincide com o início da agricultura em larga escala e a criação de animais, eventos que deram origem a vilarejos e sociedades mais densamente povoadas.
O ápice da disseminação dessas doenças ocorreu por volta de 5.000 anos atrás, quando grandes movimentos migratórios de pastores das estepes eurasianas — acompanhados por seus rebanhos — espalharam patógenos por vastas regiões do continente.
Mais do que uma descoberta científica, o estudo oferece uma nova perspectiva sobre a Revolução Neolítica. Além de representar o nascimento da agricultura e das cidades, esse período também marcou o início de uma nova era de epidemias. Para os pesquisadores, essas pandemias não foram apenas tragédias sanitárias, mas também forças determinantes que influenciaram estruturas sociais, políticas e até mesmo a evolução genética humana.
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