Um levantamento recente aponta aumento significativo no consumo abusivo de álcool entre mulheres nas capitais brasileiras nos últimos dez anos, passando de 9,2% para 15,7%.
Os dados fazem parte do III Levantamento Nacional de Álcool e Drogas, realizado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos, em parceria com a Universidade Federal de São Paulo.
Durante a Semana Nacional de Combate ao Alcoolismo, iniciada nesta quarta-feira (18), especialistas chamam atenção para a maior invisibilidade e preconceito enfrentados pelas mulheres com dependência.
A psicóloga e terapeuta de família Jaira Freixiela destaca que a maternidade e a vida familiar podem aumentar o estigma, levando muitas mulheres a um consumo solitário, definido como “solidão alcoólica”.
Para apoiar esse público, o grupo Alcoólicos Anônimos criou a iniciativa Colcha de Retalhos, voltada exclusivamente para mulheres. O projeto oferece 65 reuniões online, ampliadas durante a pandemia, para dar suporte e fortalecer a rede de ajuda feminina.
De acordo com Jaira Freixiela, mulheres entre 35 e 44 anos são as que mais buscam apoio, representando 42,6% dos contatos. Essa faixa etária coincide com o climatério, menopausa, sobrecarga profissional e cuidados com filhos pequenos, situações que muitas vezes levam ao consumo de álcool como alívio temporário.
O levantamento aponta que mais de 7% das brasileiras atendem aos critérios para diagnóstico de alcoolismo. A psicóloga recomenda atenção a sinais como associação de todas as situações ao consumo de álcool, dificuldade de interromper a bebida após a “saideira”, descuido com o próprio cuidado e alterações de humor.
Em 2025, cerca de 7 mil mulheres buscaram ajuda pelos canais da Colcha de Retalhos, um aumento de quase 270% em relação ao ano anterior, com maior demanda em São Paulo, seguida por Minas Gerais, Bahia e Rio de Janeiro.
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