Cientistas do Reino Unido desenvolveram uma tecnologia inovadora que permite observar, pela primeira vez, como a bactéria causadora da tuberculose ataca os pulmões nos estágios iniciais da doença.
A tuberculose, provocada pelo Mycobacterium tuberculosis, progride de forma lenta e silenciosa, muitas vezes sendo diagnosticada apenas quando os danos já são significativos.
O avanço foi possível com a criação de um minipulmão de 3 milímetros de diâmetro, construído a partir de uma combinação de células humanas e componentes plásticos. Esse “órgão em chip” reproduz a estrutura e a função do pulmão, permitindo simular a respiração e monitorar, em tempo real, a interação da bactéria com as células alveolares.
“O minipulmão recebeu um sistema que aplica forças de estiramento tridimensionais rítmicas, imitando o movimento da respiração. Isso estimula a formação de microvilosidades, características essenciais das células alveolares”, explica Max, pesquisador do estudo.
Diferentemente de modelos anteriores, que não mantinham a função pulmonar ou utilizavam material genético de múltiplos doadores, este modelo possibilita observar com precisão a infecção.
Os resultados, publicados em 1º de janeiro na revista Science Advances, mostram que a bactéria derruba rapidamente as primeiras defesas do pulmão. Cinco dias após a infecção, as células de defesa já apresentavam colapso, e os danos na camada externa das células eram visíveis. Ao 14º dia, os danos se estendiam por toda a superfície alveolar do minipulmão.
Além de fornecer novos insights sobre a tuberculose, o modelo tem potencial para estudar outras doenças respiratórias, como COVID-19, influenza e câncer pulmonar. “O órgão em chip abre caminho para a medicina personalizada, permitindo analisar como a genética de cada indivíduo pode influenciar a eficácia dos tratamentos”, afirma Max.
A tecnologia representa um avanço significativo na compreensão de doenças silenciosas e pode ajudar a desenvolver terapias mais eficazes e específicas, reduzindo também a necessidade de testes em humanos nas fases iniciais de pesquisa.
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