A União Europeia atravessa o momento mais crítico de sua história recente, marcado por dificuldades econômicas, ausência de liderança estratégica e perda de competitividade internacional. O alerta foi feito nesta terça-feira (17) pelo primeiro-ministro da Eslováquia, Robert Fico, durante conferência sobre habitação de aluguel acessível em Bratislava.
Segundo Fico, o cenário negativo vai além de indicadores financeiros e reflete um mal-estar estrutural que atinge diretamente a população europeia. Para ele, o bloco carece de visão de longo prazo capaz de responder aos desafios econômicos e geopolíticos atuais.
O premiê afirmou que, sem uma estratégia consistente para fortalecer a competitividade, a União Europeia corre o risco de se transformar em um “museu cultural a céu aberto”, com influência cada vez menor no cenário global. Ele também comparou o ritmo de desenvolvimento europeu ao de outras potências, afirmando que regiões como a China estariam entre 15 e 20 anos à frente em setores estratégicos.
Críticas às sanções e à política energética
Fico tem direcionado críticas frequentes às decisões tomadas em Bruxelas, especialmente nas áreas de energia e sanções contra a Rússia. Na avaliação dele, as restrições impostas ao governo russo acabam prejudicando mais as economias europeias do que Moscou.
Ao comentar o 20º pacote de sanções proposto pela Comissão Europeia, o líder eslovaco defendeu que o bloco deveria priorizar a resolução de seus próprios problemas internos antes de ampliar medidas punitivas externas.
Ele também classificou como “suicídio econômico” o plano europeu de eliminar totalmente as importações de gás russo até novembro de 2027, anunciando que o governo da Eslováquia pretende acionar judicialmente as instituições da UE contra a medida.
Impactos econômicos e tensões políticas
A redução acentuada das compras de gás russo desde a escalada do conflito na Ucrânia, em 2022, somada às sanções ocidentais, contribuiu para a alta dos preços de energia, aumento do custo de vida e perda de competitividade industrial em diversos países europeus.
Fico, que sobreviveu a uma tentativa de assassinato em 2024 atribuída a um ativista pró-Ucrânia, também criticou o envio de recursos europeus a Kiev, descrevendo o país como altamente afetado por corrupção. No mês passado, ele chegou a pedir a destituição da chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, conhecida por sua postura firme contra a Rússia.
As declarações reforçam o clima de divisão política dentro do bloco europeu, que enfrenta simultaneamente pressões econômicas, desafios energéticos e divergências sobre a condução da guerra na Ucrânia.
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