Na contagem regressiva para as eleições 2022 e início dos debates políticos nos canais abertos de tv, os ânimos ficam cada vez mais acirrados entre membros e simpatizantes dos partidos. Em meio à uma forte polarização, alguns fatores podem contribuir para dividir as opiniões dos eleitores, principalmente no ambiente virtual, como fake news. Mas, até que ponto a tensão e a expectativa pré-eleitoral podem afetar a saúde mental e emocional do brasileiro?
O psicólogo e professor Matheus Vieira enumera situações quem podem gerar danos mentais nesse período, principalmente quando não há limite no consumo de informações. Especialista em relacionamentos, Vieira acredita que as reações mais intensas que muitas pessoas vêm apresentando em discussões de teor político podem ser reflexo da pandemia, que isolou a sociedade em uma ‘bolha’ e por um período prolongado. “Estamos reaprendendo a viver em sociedade”, diz ele.
Por outro lado, Vieira pondera que antes da pandemia o indivíduo já apresentava uma capacidade pessoal de suportar controvérsias, o que dá base emocional para encarar os embates e aceitar as diversidades da vida.
“Isso [capacidade de lidar com as diversidades] é próprio de cada pessoa. Pode ser que a pandemia tenha aumentado essas características em algumas pessoas, mas em outras ela apenas manteve o que esse indivíduo tinha como capacidade”, destaca Vieira.
Em tempos de campanha política, é quase impossível fugir de discussões sobre o tema no dia a dia, seja de forma ativa ou como meros observadores. Vieira salienta que os efeitos psicológicos dos embates, pelas redes sociais ou pessoalmente, vai depender da habilidade de respeitar as diversidades de pensamento.
“Temos que ter em mente se estamos propondo um debate ou apenas tentando convencer o outro que estamos com a razão. Num debate temos que estar abertos ao contraditório para não termos desgastes prejudiciais. Tentar colonizar o pensamento do outro é algo violento e pode causar inúmeras reações, desde frustração por não conseguir o resultado esperado, assim como desencadear sentimentos de raiva e ansiedade”, avalia o especialista.
“Tenho a opção de me anestesiar e ficar alheio”
As consequências das discussões políticas na saúde física, mental e social estão associadas diretamente à intensidade que cada pessoa dá a esses fatos na sua vida, segundo o psicólogo. Ele diz que é importante identificar o limite de interação com o universo político sem danos à saúde.
“Tenho a opção de me anestesiar e ficar alheio aos fatos políticos, mas apesar de não adoecer, não vou me permitir opinar na condição de cidadão. Por outro lado, se busco informações sobre política, posso me sentir agredido pelos fatos, porque a política é feita de agressão, sobretudo a partidária, com os ataques entre partidos. Então, tudo depende do espaço que damos à política na vida”, esclarece.
Vieira tem uma fórmula infalível de proteger dos efeitos nocivos dos debates políticos: “saber respeitar o próximo e fazer valer a sua opinião também de forma respeitosa”. Para ele a pluralidade de pensamentos e ideias faz a vida ser rica e com maiores possibilidades de crescimento.
“Agora, quando não se consegue entender que o outro pode pensar diferente e isso não faz dele uma pessoa pior, o ideal é procurar uma terapia para que o especialista possa auxiliar no processo de aceitação”, recomenda.
*Reportagem publicada na edição impressa.











