O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro rejeitou as contas de 2025 da gestão de Cláudio Castro. A decisão foi tomada nesta segunda-feira, 1º de junho de 2026, em sessão virtual, por 3 votos a 1. Com o resultado, o TCE-RJ emitiu parecer prévio desfavorável à aprovação das contas do governo estadual.
Apesar do peso técnico da decisão, a rejeição no Tribunal de Contas não encerra o processo. O parecer será encaminhado à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, que terá a palavra final sobre a aprovação ou rejeição definitiva das contas. Na prática, o TCE-RJ atua como órgão de análise técnica, enquanto a decisão política final caberá aos deputados estaduais.
A maioria pela rejeição foi formada pelos votos do conselheiro revisor José Gomes Graciosa e dos conselheiros Marcelo Verdini Maia e Christiano Lacerda Ghuerren. O único voto favorável foi do relator Rodrigo Melo do Nascimento, que havia defendido a aprovação das contas com ressalvas, determinações, recomendações e alertas.
O voto que prevaleceu apontou falhas relevantes na prestação de contas do exercício de 2025. Entre os problemas citados estão irregularidades, impropriedades e indícios de inconsistências no balanço patrimonial do Estado. Um dos pontos mais sensíveis envolve a gestão do Rioprevidência e aplicações financeiras relacionadas ao Banco Master, tema que já vinha sendo tratado em auditorias e investigações.
Antes da conclusão do julgamento, a análise das contas havia sido adiada após pedido de vista do conselheiro Christiano Lacerda. Na ocasião, ele afirmou que precisava de mais tempo para examinar o voto revisor apresentado por José Gomes Graciosa. O processo voltou à pauta e terminou com maioria contrária à aprovação das contas.
O caso aumenta a pressão política sobre Cláudio Castro e amplia o desgaste em torno da gestão fiscal do Estado. A rejeição das contas ocorre em meio a questionamentos sobre investimentos públicos, fundos previdenciários e operações financeiras envolvendo recursos estaduais. A exposição do Rioprevidência a fundos ligados ao Banco Master é um dos temas que mais chamam atenção no debate sobre a responsabilidade da administração estadual.
A defesa de Castro, segundo informações divulgadas pela imprensa, contestou o resultado e afirmou que a decisão teria contrariado manifestações anteriores de áreas técnicas. O ex-governador tem sustentado que sua gestão atuou com responsabilidade fiscal e respeito aos órgãos de controle. Ainda assim, com o parecer desfavorável aprovado pelo TCE-RJ, o caso passa agora para uma nova etapa no Legislativo fluminense.
Na Alerj, os deputados poderão confirmar ou derrubar o entendimento do Tribunal de Contas. Até lá, o parecer prévio desfavorável deve alimentar o debate político no Rio de Janeiro, especialmente em um cenário de tensão entre fiscalização, contas públicas, previdência estadual e disputas eleitorais.
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