O ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal, Silvinei Vasques, foi transferido neste sábado (27) da sede da Polícia Federal em Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná, para Brasília. O deslocamento ocorreu em uma aeronave da corporação, que decolou por volta das 10h, após Silvinei passar a noite sob custódia da PF.
A transferência ocorre um dia depois de Silvinei ter sido preso no Paraguai, ao tentar embarcar no Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi, em Assunção, com destino a El Salvador. Ele utilizava documentos falsos e acabou sendo detido pelas autoridades paraguaias. Após a prisão, foi expulso do país e entregue à Polícia Federal brasileira na região de fronteira, em Foz do Iguaçu.
Segundo informações das autoridades paraguaias, Silvinei apresentou documentos em nome de outra pessoa e chegou a alegar, por meio de uma declaração, que teria um câncer na cabeça e não poderia se comunicar verbalmente. No entanto, após a verificação de dados biométricos, como fotos, numeração e impressões digitais, foi confirmado que a identidade apresentada não correspondia ao ex-diretor da PRF. Durante a abordagem, ele acabou confessando que os documentos não eram dele.
A expulsão do Paraguai ocorreu porque Silvinei ingressou no país de forma irregular, sem declarar entrada às autoridades migratórias, além do uso de identidade falsa — situações previstas na legislação local para a retirada compulsória de estrangeiros. De acordo com o diretor de Migrações do Paraguai, Jorge Kronawetter, não havia mandado de prisão vigente contra Silvinei no país nem ordem de captura internacional pela Interpol, o que levou à decisão de expulsão, e não de extradição.
No Brasil, Silvinei Vasques foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a mais de 24 anos de prisão por envolvimento na tentativa de golpe de Estado. Segundo a decisão, ele atuou para monitorar autoridades e dificultar o deslocamento e a votação de eleitores, especialmente na região Nordeste, durante o processo eleitoral.
Ao tentar deixar o país, Silvinei rompeu a tornozeleira eletrônica que utilizava por determinação judicial. Diante disso, o ministro do STF Alexandre de Moraes decretou sua prisão preventiva.
Informações enviadas pela Polícia Federal ao Supremo indicam que Silvinei deixou sua residência, em São José, Santa Catarina, ainda na noite da véspera de Natal, antes que o sistema apontasse falhas no funcionamento da tornozeleira. Imagens de câmeras de segurança mostram o ex-diretor saindo do condomínio por volta das 19h22, após carregar um veículo alugado com diversos pertences e embarcar com um cachorro da raça pitbull.
Equipes da Polícia Penal de Santa Catarina e da Polícia Federal tentaram localizá-lo no endereço no dia seguinte, mas não obtiveram sucesso. Segundo os relatórios enviados ao STF, nem o apartamento nem a vaga de garagem do ex-diretor apresentavam sinais de sua presença.
A Polícia Federal informou ao Supremo que ainda não é possível determinar com precisão como ocorreu a violação da tornozeleira eletrônica nem se o equipamento permaneceu no imóvel após a fuga. O Ministério Público do Paraguai também abriu investigação para apurar se os documentos utilizados por Silvinei foram roubados ou extraviados.
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