A proposta dos Estados Unidos de aplicar novas tarifas sobre produtos brasileiros encontrou forte oposição durante audiências públicas realizadas em Washington. Representantes de diferentes setores da economia defenderam a retirada das medidas ou a criação de exceções para segmentos considerados estratégicos nas relações comerciais entre os dois países.
De acordo com o vice-presidente da Centrorochas, Fábio Cruz, apesar da presença de participantes favoráveis às restrições comerciais, a maioria das manifestações apresentadas durante os debates foi contrária à adoção das tarifas.
O setor de rochas naturais esteve entre os que contestaram a medida. Segundo Cruz, os produtos brasileiros possuem características diferenciadas, com ampla variedade e qualidade, além de atenderem uma demanda relevante do mercado norte-americano.
Durante a audiência, representantes da própria indústria de rochas dos Estados Unidos também defenderam a manutenção do comércio com fornecedores brasileiros. Segundo o executivo, participantes norte-americanos reforçaram os argumentos apresentados pelo setor nacional.
“Eu fui o primeiro a falar e os outros falaram que iriam repetir exatamente o que havia sido apresentado. O Brasil é de longe o principal produtor e possui a maior diversidade mundial de pedra natural”, afirmou Cruz.
Para o representante da Centrorochas, a participação direta de empresas brasileiras nas discussões internacionais é fundamental para defender os interesses comerciais do país. Ele destacou a importância da atuação institucional junto às autoridades e entidades norte-americanas.
“Esse trabalho institucional é regulamentado e precisa ser feito. Ficou claro que existe uma expectativa para ampliar essa atuação”, declarou.
Outros segmentos da economia brasileira também participaram das audiências e apresentaram argumentos contra as tarifas. A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados informou que, em parceria com organizações dos Estados Unidos, defendeu a retirada das medidas, destacando a relevância do mercado norte-americano para o setor.
A entidade afirmou ainda que o Brasil pode representar uma alternativa estratégica para os Estados Unidos diante da concentração de fornecedores asiáticos no mercado global de calçados.
Representantes da indústria do ferro em Minas Gerais também participaram dos debates. O Sindifer argumentou que o Brasil é responsável por uma parcela significativa do fornecimento de ferro-gusa utilizado pelas empresas norte-americanas e que a aplicação de tarifas poderia aumentar custos para consumidores e indústrias dos Estados Unidos.
Segundo dados apresentados pelo governo brasileiro, 78 entidades e pessoas físicas participaram das audiências. Desse total, 63 manifestações foram contrárias às tarifas, enquanto 15 defenderam a adoção das medidas comerciais.
As discussões fazem parte de duas investigações conduzidas pelo governo dos Estados Unidos. Uma delas avalia possíveis práticas comerciais consideradas desleais envolvendo o Brasil e analisa temas como desmatamento ilegal, propriedade intelectual e produção de etanol. Nesse processo, está em análise uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.
A segunda investigação envolve cerca de 60 países e trata da importação de produtos relacionados ao uso de trabalho forçado. Para esse grupo, a proposta norte-americana prevê uma sobretaxa de 12,5%.
As manifestações apresentadas durante as audiências serão avaliadas pelas autoridades dos Estados Unidos antes da decisão final sobre a aplicação das tarifas. O resultado poderá influenciar a relação comercial entre os dois países e afetar setores brasileiros que dependem das exportações para o mercado norte-americano.
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