A bancada das bets é hoje uma das mais influentes — e silenciosas — forças políticas em Brasília. Formada por deputados e senadores que atuam em defesa dos interesses das casas de apostas esportivas, o grupo conseguiu esvaziar CPIs, barrar aumento de impostos e aprovar mudanças que favorecem diretamente o setor.
O lobby das bets envolve viagens, jatinhos, doações de campanha e articulações discretas. Um dos principais nomes associados à bancada é o senador Ciro Nogueira (PP-PI), que viajou em jatinho de um empresário de apostas para assistir ao Grande Prêmio de Mônaco da Fórmula 1, como revelou a revista Piauí.
CPIs que terminaram em pizza
O Senado Federal e a Câmara dos Deputados instalaram CPIs para investigar o setor das apostas. Ambas fracassaram.
A comissão do Senado, presidida por Soraya Thronicke (Podemos-MS), foi marcada por esvaziamento e impasses, e encerrou-se sem relatório final.
Durante os trabalhos, até o atacante Bruno Henrique, do Flamengo, foi citado em investigação da Polícia Federal sobre manipulação de resultados. O caso foi arquivado por falta de provas.
Na Câmara, o deputado Felipe Carreras (PSB-PE), relator de projetos ligados ao tema, foi acusado de pedir R$ 35 milhões em propina ao presidente da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), Wesley Cardia, segundo denúncia do ex-assessor do Ministério da Fazenda José Francisco Manssur. Carreras negou as acusações e disse ser vítima de “grande injustiça”.
Quem é quem na bancada das bets
Adolfo Viana (PSDB-BA)
Relator do projeto de lei das apostas esportivas na Câmara dos Deputados.
Elmar Nascimento (União Brasil-BA)
Presidiu, em 2016, a comissão que discutiu a legalização dos cassinos no país.
Felipe Carreras (PSB-PE)
Relator do projeto que tratou da legalização de cassinos e bingos em 2022. É um dos principais articuladores do setor na Câmara.
Gabriel Motta (Republicanos-RR)
Autor de emenda à Medida Provisória 1.303, que reduziu a alíquota de seguridade social cobrada das bets de 6% para 3%.
João Carlos Bacelar (PL-BA)
Apresentou emenda para reduzir a alíquota das apostas esportivas de 18% para 15%.
Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP)
Propôs emenda que permite às bets financiarem direitos de transmissão esportiva, ampliando seu poder no mercado midiático.
Angelo Coronel (PSD-BA)
Relator do projeto de lei das apostas esportivas no Senado. Tem defendido um modelo “menos punitivo e mais regulatório”.
Ciro Nogueira (PP-PI)
Autor de projeto para regulamentar cassinos e apostas esportivas. É apontado por colegas como líder informal da bancada.
Irajá (PSD-TO)
Relator do projeto de legalização geral dos jogos no Senado, incluindo cassinos e bingos.
Jorge Kajuru (PSB-GO)
Propôs emenda à MP 1.303 para proteger as bets contra mudanças tributárias inesperadas.
Nelsinho Trad (PSD-MS)
Autor de propostas que reduzem impostos e estendem licenças de operação de casas de apostas para cinco anos.
Rogério Carvalho (PT-SE)
Apresentou emenda semelhante para estender licenças de bets, também de cinco anos, argumentando segurança jurídica para o setor.
Influência crescente e pouca fiscalização
Mesmo com a expansão bilionária das apostas esportivas no Brasil, o Congresso Nacional ainda não aprovou uma regulamentação definitiva para o setor.
Enquanto isso, a bancada das bets segue atuando nos bastidores, pressionando por menos impostos, mais liberdade de operação e menos fiscalização estatal.
A ausência de punições após as denúncias e o fim das CPIs sem resultados concretos reforçam a sensação de impunidade e poder político do grupo.
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