O processo de extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) para o Brasil segue em andamento na Itália, mesmo após a negativa, nesta terça-feira (10), do pedido da defesa para substituir o colegiado de juízes responsável pelo caso.
Zambelli permanece detida na Penitenciária Feminina de Rebibbia, em Roma, e seus advogados ainda podem recorrer da decisão judicial. Até o momento, a defesa não divulgou pronunciamento oficial.
O julgamento, que já foi adiado quatro vezes, está marcado para quarta-feira (11) e deve definir se a transferência da ex-parlamentar para o Brasil será autorizada pelas autoridades italianas.
Condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), Zambelli deixou o país antes de iniciar o cumprimento da pena, gerando a solicitação de extradição. O fato de possuir dupla cidadania — brasileira e italiana — torna o processo mais complexo juridicamente.
A defesa de Zambelli mantém otimismo quanto ao resultado da audiência. O advogado Fabio Pagnozzi afirmou que o senador italiano Matteo Gelmetti atua junto ao Ministério da Justiça do país para tentar impedir a extradição, alegando suposto desrespeito a garantias processuais no Brasil por parte do ministro Alexandre de Moraes.
Segundo apuração, Zambelli foi localizada em Roma pelo adido da Polícia Federal em conjunto com autoridades italianas e presa no mesmo dia. Desde então, permanece detida na capital italiana.
Condenações no Brasil
A ex-deputada foi condenada duas vezes pelo STF. Na primeira sentença, recebeu dez anos de prisão pelos crimes de invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e falsidade ideológica, em conluio com o hacker Walter Delgatti Neto, que afirmou ter sido contratado por Zambelli para inserir documentos falsos, incluindo um mandado de prisão fictício contra o ministro Alexandre de Moraes. Após essa condenação, ela deixou o Brasil, resultando em sua detenção na Itália.
Na segunda condenação, Zambelli recebeu cinco anos e três meses de prisão em regime inicial semiaberto pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, perdendo também o mandato após o trânsito em julgado.
Durante as eleições de 2022, Zambelli se envolveu em um episódio em que apareceu em vídeos empunhando uma pistola enquanto perseguia um homem negro, que acabou agredido por outras pessoas do grupo. Um disparo chegou a ser efetuado, e a ex-parlamentar afirma também ter sofrido agressões.
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