O Partido Liberal oficializou neste sábado (25) a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República nas eleições de 2026. A decisão foi homologada durante a convenção nacional da legenda, realizada em São Paulo.
A escolha representa a estreia do parlamentar em uma disputa pelo Palácio do Planalto e mantém a família Bolsonaro no centro da estratégia eleitoral do PL. Sem o nome do vice definido, o partido continuará negociando alianças com outras forças de centro e de direita.
Flávio Bolsonaro deverá apresentar sua campanha como continuidade do projeto político liderado pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Entre os temas defendidos pelo candidato estão segurança pública, redução de impostos e oposição ao atual governo federal.
Trajetória política
Eleito senador pelo Rio de Janeiro em 2018, Flávio Bolsonaro iniciou sua trajetória parlamentar na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro.
Antes de chegar ao Senado, cumpriu quatro mandatos consecutivos como deputado estadual. Em 2016, também disputou a Prefeitura do Rio de Janeiro, terminando a eleição na quarta colocação.
A construção de sua candidatura presidencial começou a ganhar forma no fim de 2025, quando o senador afirmou que havia sido escolhido pelo pai para representar o grupo político da família na eleição nacional.
Família participa por meio de vídeos
A convenção contou com manifestações de integrantes da família Bolsonaro. Rogéria Nantes Bolsonaro, mãe de Flávio e primeira mulher de Jair Bolsonaro, acompanhou o encontro presencialmente.
Eduardo e Carlos Bolsonaro não compareceram ao evento, mas enviaram mensagens gravadas em apoio ao irmão. Os vídeos exibidos aos participantes reforçaram o discurso de união entre os apoiadores do ex-presidente.
Em sua manifestação, Eduardo relacionou uma eventual vitória de Flávio à defesa da anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro. Carlos destacou a responsabilidade assumida pelo irmão ao representar o grupo político na disputa pelo Palácio do Planalto.
Michelle declara apoio após crise interna
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro também participou da convenção por meio de uma mensagem em vídeo. Ela desejou força e sabedoria ao candidato e destacou a importância da participação feminina nas eleições.
A manifestação ocorreu após uma crise pública entre Michelle e Flávio, provocada por divergências sobre as alianças eleitorais do PL no Ceará.
Dois dias antes da convenção, o senador divulgou um pedido de desculpas e convidou a ex-primeira-dama a participar de sua campanha. Michelle afirmou que aceitava o gesto e indicou que ajudaria no projeto eleitoral.
A reaproximação é considerada relevante pelo partido por causa da influência política de Michelle entre mulheres, evangélicos e eleitores conservadores.
Chapa permanece sem vice
Apesar da oficialização do candidato, o PL ainda não anunciou quem disputará a Vice-Presidência. Flávio Bolsonaro já declarou que gostaria de ter uma mulher como companheira de chapa.
A definição depende das conversas com partidos que ainda avaliam qual posição adotar na corrida presidencial. Progressistas, União Brasil e Republicanos estão entre as legendas procuradas para uma possível composição.
Caso as negociações não avancem, o PL poderá optar por uma chapa formada apenas por integrantes da própria legenda.
Entre os nomes mencionados nos bastidores estão o da economista Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal, e o da deputada federal Simone Marquetto.
As articulações devem continuar até o prazo final para o registro das candidaturas, em 15 de agosto.
Desafio será ampliar alianças
Com a homologação, Flávio Bolsonaro passa oficialmente da condição de pré-candidato para representante do PL na eleição presidencial.
Um dos principais desafios será ampliar o apoio para além do eleitorado mais identificado com Jair Bolsonaro. A campanha precisará buscar alianças partidárias, reduzir divisões internas e dialogar com setores mais moderados.
A escolha do vice, a participação de Michelle Bolsonaro e o posicionamento dos partidos de centro e de direita poderão influenciar diretamente a capacidade eleitoral da candidatura.
Até a apresentação completa da chapa, dirigentes do PL deverão intensificar as negociações para fortalecer os palanques estaduais e ampliar o tempo de propaganda eleitoral.
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