A Polícia Federal cumpriu, nesta quinta-feira (25), mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao deputado federal Josimar Maranhãozinho (PL-MA). As medidas foram autorizadas pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito de uma investigação sobre a execução de obras financiadas por emendas de relator.
Segundo a apuração, os alvos da operação são empresas contratadas para realizar obras públicas com recursos das chamadas emendas de relator, mecanismo que ficou conhecido como orçamento secreto por permitir a destinação de verbas com baixa transparência e pouca clareza sobre os critérios de distribuição.
Josimar Maranhãozinho teria sido sócio de uma das empresas investigadas. A PF busca reunir documentos, registros financeiros, aparelhos eletrônicos e outros elementos que possam esclarecer a relação entre os contratos, a execução das obras e a origem dos recursos públicos utilizados.
As emendas de relator foram alvo de forte questionamento nos últimos anos por órgãos de controle, pelo STF e por entidades da sociedade civil. O principal ponto de crítica é a dificuldade de rastrear quem indicava os recursos, para quais municípios eram enviados e como os valores eram aplicados.
O nome de Josimar Maranhãozinho já aparece em outros processos relacionados a suspeitas de irregularidades envolvendo emendas parlamentares. Em dezembro de 2025, a Agência Brasil informou que o STF havia marcado julgamento de ação penal contra Josimar, Pastor Gil e Bosco Costa por acusação de cobrança de propina na liberação de emendas parlamentares. Segundo a denúncia da PGR naquele caso, teria havido pedido de vantagem indevida de R$ 1,6 milhão para liberação de R$ 6,6 milhões em emendas destinadas ao município de São José de Ribamar, no Maranhão.
Em março de 2026, a Primeira Turma do STF condenou parlamentares do PL em processo sobre desvio de emendas. No caso, Josimar Maranhãozinho recebeu a maior pena entre os réus, por ter sido considerado líder do esquema, segundo reportagem do Brasil de Fato. A defesa do deputado, em manifestações anteriores, negou irregularidades e classificou as acusações como frágeis e sem fundamento.
A operação desta quinta-feira amplia a pressão sobre o uso de emendas parlamentares e reforça a atuação do STF e da Polícia Federal em investigações sobre possíveis desvios, contratos suspeitos e falta de transparência na destinação de recursos públicos.
A defesa do deputado e das empresas citadas deve ser procurada para manifestação. O espaço segue aberto para atualização.
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