Uma análise técnica conduzida por peritos da Polícia Federal levantou questionamentos sobre a explicação apresentada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes a respeito de supostas mensagens relacionadas ao banqueiro Daniel Vorcaro no dia da primeira fase da Operação Compliance Zero, realizada em 17 de novembro do ano passado. As informações foram divulgadas em reportagem publicada pelo jornal O Globo no sábado (7).
De acordo com os dados recuperados do celular do empresário, alguns elementos não coincidem com a versão apresentada pelo magistrado. As investigações já haviam apontado que a comunicação atribuída a Vorcaro não teria ocorrido por mensagens digitadas diretamente em aplicativos de conversa.
Segundo a apuração jornalística, o conteúdo teria sido produzido no aplicativo de notas do celular. Os textos eram convertidos em capturas de tela e posteriormente enviados por aplicativos de mensagens utilizando o recurso de visualização única, que apaga automaticamente o conteúdo após ser aberto pelo destinatário.
Os registros encontrados pelos investigadores estavam armazenados justamente no bloco de notas do aparelho do empresário. Esse material foi posteriormente encaminhado à comissão parlamentar que investiga irregularidades no sistema previdenciário, que teve acesso aos dados extraídos pela Polícia Federal.
Em manifestação oficial divulgada pela Secretaria de Comunicação do Supremo Tribunal Federal, Moraes afirmou que as mensagens não eram destinadas a ele, sustentando que os prints enviados por Vorcaro estavam vinculados a pastas associadas a outros contatos.
Contudo, especialistas citados pela reportagem afirmam que a organização dos arquivos segue a estrutura criada automaticamente pelo software utilizado na análise forense da Polícia Federal, o que não necessariamente identifica o destinatário das mensagens.
Os arquivos analisados foram recuperados tanto do aparelho de Vorcaro quanto de dados armazenados em nuvem.
Diferentemente de outras conversas do empresário — como mensagens trocadas com familiares e preservadas em backup de aplicativos —, o material em questão não foi extraído diretamente do histórico de mensagens, mas do sistema de notas do celular.
A reportagem também afirma ter verificado o número de telefone e o nome associados ao ministro Alexandre de Moraes, informação que teria sido confirmada por fontes ligadas à investigação.
Todo o conteúdo foi processado com o uso do software IPED, ferramenta utilizada pela Polícia Federal para análise de provas digitais. O sistema organiza os arquivos por meio de algoritmos que preservam a integridade das evidências, atribuindo a cada item um código criptográfico conhecido como hash, que garante que o conteúdo não sofreu alterações.
Um dos exemplos mencionados seria uma imagem criada no bloco de notas do celular de Vorcaro no dia 17 de novembro de 2025, às 17h26, com a frase: “Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”.
O arquivo recebeu um código hash específico e foi armazenado automaticamente pelo sistema em uma estrutura de pastas gerada pelo próprio programa.
Segundo a publicação, o software criou uma pasta principal chamada “Exportados”, com subpastas organizadas pelos primeiros caracteres do código hash. Em uma delas teriam sido localizados arquivos associados aos contatos do presidente do União Brasil, Antônio Rueda, e do senador Irajá Abreu.
Outro print teria sido identificado em uma pasta vinculada ao contato de Viviane Moraes, advogada e esposa do ministro.
As pessoas citadas negaram ter recebido mensagens enviadas por Daniel Vorcaro. O episódio ocorre no contexto das investigações da Operação Compliance Zero, que apura possíveis irregularidades financeiras relacionadas ao Banco Master e segue em andamento.
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