Maurício Silva Knoploch dos Santos, diretor de Planejamento e Projetos do Instituto Rio Metrópole e pai do deputado estadual Alexandre Knoploch, do PL, foi preso nesta quinta-feira (9) durante a Operação Ouroboros, deflagrada pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro.
A ação investiga um suposto esquema de corrupção, fraude em licitações, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro dentro da autarquia estadual. Segundo as investigações, contratos considerados ilegais movimentaram cerca de R$ 86,28 milhões entre julho de 2022 e maio de 2026.
Maurício Knoploch também integrava a Comissão Técnica de Licitação do Instituto Rio Metrópole. De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público, ele teria atuado na articulação e no direcionamento de procedimentos licitatórios em benefício de empresas investigadas.
Imagens registradas após o cumprimento do mandado mostram Maurício sendo conduzido por agentes à sede da Secretaria de Estado de Polícia Civil, no Centro do Rio de Janeiro.
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Além dele, foram presos o presidente do Instituto Rio Metrópole, Davi Perini Vermelho, conhecido como Didê; o delegado da Polícia Civil Franquis Dias Nepomuceno; o procurador do Estado Marcelo Lopes da Silva; a ex-fiscal de contratos Caroline Soares Barros; e Amanda Íthala Santos da Paschoa, que também teria atuado na fiscalização de contratos.
Ao todo, 11 pessoas foram denunciadas pelo Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal do Ministério Público. Os investigados respondem, conforme a participação atribuída a cada um, por organização criminosa, corrupção passiva, fraude em licitações e lavagem de dinheiro.
Nove mandados de busca e apreensão também foram cumpridos em endereços localizados na capital fluminense, em São Gonçalo e em Teresópolis. Outros denunciados foram submetidos a medidas cautelares, como monitoramento por tornozeleira eletrônica, comparecimento periódico à Justiça e proibição de deixar o país.
Dinheiro sacado em espécie
Segundo a acusação, empresas contratadas pelo Instituto Rio Metrópole transferiam parte dos recursos públicos recebidos para o Instituto BIO, sigla de Brazilian Institute of Organics.
A entidade é apontada na investigação como uma organização de fachada utilizada para receber e movimentar os valores. Parte do dinheiro teria sido posteriormente sacada em espécie, dificultando o rastreamento da destinação final dos recursos.
O Ministério Público afirma que Caroline Soares Barros, identificada na investigação como “Mulher da Mala”, teria realizado saques milionários e transportado dinheiro com o auxílio de escolta armada.
Auditoria deu origem à apuração
A investigação teve início depois que auditorias conduzidas pela Controladoria-Geral do Estado e pelo Gabinete de Segurança Institucional identificaram indícios de irregularidades nos contratos do Instituto Rio Metrópole.
Os relatórios foram enviados ao Ministério Público, que aprofundou as apurações e solicitou à Justiça as prisões, buscas e demais medidas cautelares executadas durante a operação.
Em nota, o Governo do Estado informou que encaminhou o material aos órgãos responsáveis assim que as auditorias foram concluídas. O Executivo estadual também afirmou que a atual presidência da autarquia foi nomeada na gestão anterior e possui mandato fixo até dezembro de 2026.
A reportagem não identificou, nas informações divulgadas sobre a operação, qualquer acusação contra o deputado estadual Alexandre Knoploch. A referência ao parlamentar ocorre em razão do vínculo familiar com Maurício Knoploch.
Os citados têm direito à ampla defesa e ao contraditório. O espaço permanece aberto para manifestações das defesas.
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