A Polícia Federal (PF) deu continuidade nesta quarta-feira (16) à Operação Teatro Invisível II, cumprindo dez mandados de busca e apreensão contra uma organização criminosa acusada de fraudar licitações em quatro municípios fluminenses — Cabo Frio, Itaguaí, Mangaratiba e São João de Meriti —, além de lavagem de dinheiro e uso de caixa dois eleitoral para favorecer candidatos nas eleições de 2024.
Entre os alvos estão o prefeito de Cabo Frio, Dr. Serginho (PL), o deputado estadual Valdecy da Saúde (PL) e ex-candidatos como Aarão (PP) de Mangaratiba e Rubão (Podemos) de Itaguaí.
A ação é um desdobramento da primeira fase da operação, deflagrada em setembro de 2023, que revelou um esquema de desinformação para prejudicar adversários políticos em mais de dez cidades do Rio.
Fraudes e bloqueios de contas
Agora, as investigações expõem práticas ilícitas ainda mais complexas: além de fraudes em editais públicos, o grupo promoveu a destruição de provas digitais para evitar a responsabilização de seus integrantes.
Segundo a PF, há evidências robustas de lavagem de dinheiro via contas de passagem, uso de espécie e aquisição de bens de alto valor.
A Justiça determinou o bloqueio de contas dos investigados, totalizando R$ 3,5 bilhões, e a suspensão das atividades de oito empresas suspeitas de integrar o esquema.
Os mandados estão sendo cumpridos em endereços ligados aos alvos no Rio de Janeiro, Minas Gerais e nos municípios citados.
Relembre a primeira fase da Operação Teatro Invisível
Em setembro de 2023, a PF prendeu quatro pessoas por propagação de fake news contra candidatos em eleições municipais desde 2016. O grupo, sediado em São João de Meriti, infiltrava agentes em locais públicos — como pontos de ônibus e mercados — para disseminar informações falsas.
Segundo a PF, o esquema “sofisticado e lucrativo” já influenciou ao menos três pleitos, com membros ocupando cargos públicos para facilitar as operações.
Os investigados respondem por organização criminosa, lavagem de dinheiro, obstrução de justiça, assédio eleitoral e crimes previstos no Código Eleitoral, como uso de “laranjas” para burlar regras de função pública. Na fase anterior, bens no valor de R$ 1 milhão por investigado foram bloqueados.
A PF reforça que as descobertas recentes reforçam a articulação entre poder público e crime organizado para manipular processos eleitorais e desviar recursos. As investigações seguirão em andamento, com expectativa de novas medidas contra os envolvidos.
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