Diário da Guanabara
  • Cidade
  • Mundo
  • Economia
  • Edições Online
  • Gente
  • Opinião
  • Política
  • D+NEWS
Nada encontrado
Ver todos os resultados
Diário da Guanabara
Nada encontrado
Ver todos os resultados
Home Política

O xadrez fluminense: fator Ceciliano e Bacellar provoca insônia no “Piranhão”

A ofensiva de Eduardo Paes expõe fissuras na aliança informal entre centro, direita e bolsonarismo no Rio — e revela como o destino jurídico de Rodrigo Bacellar pode redefinir a sucessão estadual de 2026.

Roberto Barbosa Por Roberto Barbosa
21/01/2026 - 13:12
em Política
O xadrez fluminense e o fator Ceciliano e Bacellar provocam insônia no "Piranhão"

Eduardo Paes na Assembleia de Deus Vitória em Cristo: "Mexeu com Silas mexeu comigo". | Foto: Reprodução/Redes Sociais.

A política do Rio de Janeiro voltou a se mover como um tabuleiro instável, em que cada peça carrega mais peso do que aparenta. A ofensiva repentina do prefeito Eduardo Paes (PSB) contra André Ceciliano (PT) e contra o deputado estadual Rodrigo Bacellar (União Brasil) não é fruto de impulso retórico nem de cálculo eleitoral de curto prazo. Trata-se de uma reação defensiva — e reveladora — diante de um rearranjo silencioso em curso no centro do poder fluminense.

Paes percebeu que sua confortável posição de pré-candidato ao governo do Estado, sustentada por ambiguidades ideológicas e acenos simultâneos à esquerda lulista e à direita bolsonarista, começou a ruir no momento em que Ceciliano passou a ser cogitado como alternativa real numa eventual sucessão indireta. Caso Cláudio Castro deixe o cargo para disputar o Senado, o cenário muda radicalmente.

O governador aposta na indicação de seu secretário Nicolle Macione, mas Ceciliano, com trânsito sólido na Alerj e histórico como presidente do Legislativo, reúne condições políticas para produzir uma reviravolta. Mais do que isso: Ceciliano governador significaria, na prática, a consolidação de um palanque de Lula no Rio de Janeiro — um movimento que retiraria o PT da órbita de Eduardo Paes e encerraria qualquer ilusão de “palanque duplo” em 2026.

É nesse ponto que a neutralidade calculada de Paes se desfaz. O prefeito vinha flertando abertamente com setores da direita bolsonarista, acumulando gestos públicos a lideranças como o pastor Silas Malafaia e o deputado Eduardo Pazuello, enquanto sonhava com uma composição nacional que lhe permitisse dialogar com Lula e, ao mesmo tempo, com Tarcísio de Freitas, caso o governador paulista avance para a disputa presidencial. A entrada de Ceciliano nesse tabuleiro desmonta essa engenharia.

Leia Também

Programas de Lula e Flávio Bolsonaro apresentam diferenças sobre Amazônia, bioeconomia, demarcação de terras indígenas e autonomia de comunidades tradicionais.

Lula e Flávio Bolsonaro divergem sobre propostas ambientais

16/10/2026 - 16:16
Vídeo de Lula sobre o chamado “tesouraço” de Flávio segue fora do ar enquanto TSE aguarda novo julgamento.

TSE terá nova votação sobre propaganda de Lula que relaciona corte de gastos de Flávio a programas sociais

16/10/2026 - 11:01

O impacto não se limita ao prefeito do Rio. Washington Quaquá (PT), prefeito de Maricá, também se vê encurralado. Ao indicar quadros petistas para a administração de Paes, apostou na manutenção do PT como aliado informal do prefeito na sucessão estadual. Com Ceciliano no horizonte, essa promessa se torna inexequível: o PT no governo estadual dificilmente abriria mão de protagonismo eleitoral em um dos principais colégios eleitorais do país.

É nesse cenário que Rodrigo Bacellar ressurge como variável decisiva. Afastado da presidência da Alerj por medidas cautelares impostas pelo ministro Alexandre de Moraes, no âmbito da Operação Unha e Carne, Bacellar tornou-se alvo de um curioso consenso tácito: setores do governo Cláudio Castro e do PL parecem pouco interessados em seu retorno ao comando do Legislativo. Há indícios de que sua ausência atende a interesses que extrapolam o discurso público de combate à corrupção.

Uma eventual revogação das cautelares — ou mesmo sua flexibilização — teria efeitos políticos imediatos. Bacellar de volta ao centro do jogo poderia reconfigurar alianças, inclusive abrindo canais de diálogo com Ceciliano. Essa recomposição alteraria o equilíbrio interno da Alerj e teria impacto direto no processo sucessório, enfraquecendo tanto a estratégia de Paes quanto a do grupo palaciano.

Do ponto de vista jurídico, o cenário é menos linear do que o debate político sugere. As medidas cautelares impostas pelo STF não exigem prova definitiva, mas dependem da manutenção de um risco atual à investigação. À medida que o tempo passa, provas são colhidas e não surgem novos episódios de obstrução, o argumento do periculum libertatis se fragiliza. É justamente aí que reside a principal aposta da defesa de Bacellar.

Isso não significa que Alexandre de Moraes esteja prestes a rever sua decisão. O ministro tende a agir com cautela máxima em investigações sensíveis, sobretudo quando envolvem crime organizado e agentes públicos de relevo. Ainda assim, a jurisprudência do Supremo é clara ao afirmar que medidas cautelares não podem se eternizar sem fundamentos renovados. A possibilidade mais realista não é uma absolvição política de Bacellar, mas a substituição das restrições por medidas menos gravosas.

Enquanto isso, Eduardo Paes joga para evitar o pior cenário possível: um PT emancipado, um Ceciliano fortalecido e um Bacellar politicamente reabilitado. Sua aproximação com Cláudio Castro e setores do PL é mais profunda do que os discursos públicos deixam transparecer. O que se desenha é uma espécie de ménage ideológico assimétrico, no qual o PT corre o risco de ser apenas um figurante — sem ter consentido com esse papel.

O Rio de Janeiro caminha para 2026 sem candidaturas consolidadas, mas com linhas de fratura cada vez mais visíveis. No centro desse enredo, o destino jurídico de Rodrigo Bacellar pode funcionar como gatilho de uma rearrumação mais ampla. Em política, sobretudo na fluminense, decisões judiciais raramente produzem apenas efeitos jurídicos. Quase sempre, reescrevem o roteiro inteiro.

*Sobre o “Piranhão”: É o apelido da sede da Prefeitura do Rio de Janeiro, no Centro. O termo “Piranha” ou “Piranhão” surgiu para descrever a máquina pública, especialmente em épocas de escândalos de corrupção, sugerindo que os políticos “devoram” ou “se alimentam” dos recursos públicos, como o peixe carnívoro. Lembrando que a sede do governo municipal está localizada nas imediações da antiga Vila Mimosa. 

*Compartilhe este artigo do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Rio de Janeiro. 

SIGA O DIÁRIO DA GUANABARA NO INSTAGRAM

Tags: #Alerj#AndréCeciliano#CláudioCastro#EduardoPaes#Eleições2026#OperacaoUnhaECarne#PL#PolíticaRJ#RodrigoBacellar#STFPT
Notícia anterior

Mark Carney: “Se você não está à mesa, você está no cardápio”

Próxima notícia

Rio celebra São Sebastião com fé, sincretismo religioso e tradição cultural

Próxima notícia
Dia de São Sebastião reúne devoção católica e religiões de matriz africana no Rio

Rio celebra São Sebastião com fé, sincretismo religioso e tradição cultural

RECENTES

PSD tenta garantir segundo turno no Rio. Entenda a ação no STF e a mudança na contagem que elegeu Douglas Ruas.

Eleição no Rio vai parar no STF após anulação de 274 mil votos

Por Redação DGRJ
16/10/2026 - 20:35

Programas de Lula e Flávio Bolsonaro apresentam diferenças sobre Amazônia, bioeconomia, demarcação de terras indígenas e autonomia de comunidades tradicionais.

Lula e Flávio Bolsonaro divergem sobre propostas ambientais

Por Redação DGRJ
16/10/2026 - 16:16

FMI projeta que o Brasil será a oitava maior economia do mundo em 2027, com PIB estimado em US$ 2,8 trilhões, à frente de Itália e Rússia.

Brasil pode chegar à 8ª maior economia do mundo em 2027, prevê FMI

Por Redação DGRJ
16/10/2026 - 15:16

Prazo para estudantes inscritos automaticamente no Enem 2026 escolherem inglês ou espanhol termina neste domingo (18). Questionário socioeconômico também é obrigatório.

Enem 2026: prazo para escolher idioma termina neste domingo

Por Redação DGRJ
16/10/2026 - 15:04

DESTAQUE DA SEMANA

Novo acesso facilita ligação entre Avenida Brasil e Via Dutra no Rio

Novo acesso entre a Avenida Brasil e a Via Dutra foi liberado no Trevo das Margaridas, no Rio, com uma nova rampa para facilitar o trânsito.
Por Redação DGRJ
11/10/2026 - 17:36

Motoristas que trafegam pela Avenida Brasil, no Rio de Janeiro, passaram a contar com uma nova ligação para acessar a...

Ler mais

COLUNISTAS

Rodrigo Bacellar em Mossoró: a Constituição não para na porta do presídio

Roberto Barbosa
14/09/2026 06:40

Entre o prazer e a felicidade: por que o comum passou a parecer pouco

Karoline Barbosa
07/06/2026 08:50

A beleza da atuação de Fernanda Torres e a injustiça nada poética do Oscar 2025

Francisco Neto Pereira Pinto
05/03/2026 05:27

Mangueira pode ter um dos maiores poetas do país como compositor no próximo Carnaval

Claudia Freitas
27/09/2025 08:50

Zé Pelintra: símbolo de resistência e espiritualidade nos cultos afro-brasileiros

Madame Satã
06/07/2025 07:58

Portugal está se abrasileirando? Cultura, Pix e tensões com imigrantes acendem debate

Pedro Barbosa
28/05/2025 09:05
Diário da Guanabara

Diário da Guanabara Ltda.
Rua São José, nº 40 — Edifício São José
Centro — Rio de Janeiro
CEP: 20010-020

Conheça o Diário da Guanabara
  • Cidade
  • Mundo
  • Economia
  • Edições Online
  • Gente
  • Opinião
  • Política
  • D+NEWS

Diário de Guanabara - Criação Web Tchê Digital

Nada encontrado
Ver todos os resultados
  • Cidade
  • Mundo
  • Economia
  • Edições Online
  • Gente
  • Opinião
  • Política
  • D+NEWS

Diário de Guanabara - Criação Web Tchê Digital

Welcome Back!

Login to your account below

Forgotten Password?

Retrieve your password

Please enter your username or email address to reset your password.

Log In

Add New Playlist