Para montar o quebra cabeças da guerra híbrida que abriu caminho para a extrema direita no Brasil, o livro de memórias do empresário Emílio Odebrecht é mais uma peça importante.
O empresário narra como a Operação Lava-Jato criou uma “fábrica de delações” para forjar provas contra os investigados e os métodos de torturas psicológicas utilizados pelo então juiz Sérgio Moro (atualmente senador) e o então procurador Deltan Dallagnol (atualmente deputado) para pressionar os réus.
O livro “Uma guerra contra o Brasil tem o selo da Topbooks Editora. O prefácio é assinado pelo ex-ministro Rubens Ricupero.
É um histórico da tragédia que o espetáculo lavajatista representou para indústria pesada no país e para o próprio grupo Odebrecht.
Emílio narra que a Lava Jato incentivava blitz de madrugada nas celas dos executivos da construtora para humilhar os detentos e forçar depoimentos. Assim obtinham elementos para continua as operações.
Os executivos da construtora estavam confinados nas celas da Polícia Federal, em Curitiba, o núcleo mais perverso da Operação, que posteriormente conseguiu um paralelo no Rio de Janeiro, onde a Lava Jato ficou sob o mando do juiz Marcelo Bretas, atualmente afastado da função por decisão do CNJ (Conselho Nacional de Justiça).
A “tortura psicológica”, segundo o empresário, era o modus operandi de Sérgio Moro, que também cometia erros jurídicos para garantir sentenças rápidas.
O empresário cita sua experiência no âmbito da Lava Jato. Emílio Odebrecht foi alvo da Operação, condenado por lavagem de dinheiro e chegou a assinar um acordo de delação premiada, mas a ação foi anulada posteriormente por erros processuais e devido a parcialidade de Moro.
A sentença de Moro foi anunciada três minutos depois dele receber uma apelação de 1400 páginas enviada pela defesa dos presos. Marcelo Odebrecht, filho de Emílio e executivo da construtora, também foi preso na Lava Jato e sua condenação ocorreu apenas nove meses após ser encarcerado.
O conteúdo do livro de Emílio Odebrecht foi tema de uma reportagem no Estadão.
Outro livro que ajuda a entender os meandros da Operação Lava Jato no Brasil, é a obra Geopolítica da Intervenção, de autoria do advogado e pesquisador Fernando Augusto Fernandes.
A obra destaca que o judiciário brasileiro, no âmbito de uma guerra híbrida, foi utilizado como instrumento de intervenção estrangeira (leia-se, EUA) por meio da Operação Lava-Jato.
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