A operação Galho Fraco, deflagrada pela Polícia Federal nesta sexta-feira (19), investiga um esquema de desvio de recursos públicos ligados à cota parlamentar. Os deputados Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do partido na Câmara, e Carlos Jordy (PL-RJ) são alvos de mandados de busca e apreensão. A suspeita é de que contratos falsos com locadoras de veículos teriam sido usados para desviar valores da Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (CEAP).
A cota parlamentar é um recurso mensal destinado a deputados e senadores para custear despesas relacionadas diretamente ao mandato, como viagens, alimentação, hospedagem, serviços de comunicação, aluguel de veículos e manutenção de escritórios. O valor varia conforme o estado de origem do parlamentar, já que deslocamentos até Brasília podem ser mais caros. A CEAP funciona desde 2009, quando unificou diferentes auxílios antes pagos separadamente.
Entre os gastos permitidos estão passagens aéreas, contas de telefone e internet, combustível, aluguel de veículos, hospedagem fora do Distrito Federal e contratação de serviços necessários ao mandato. Por outro lado, é proibido utilizar a cota para fins eleitorais, para pagar despesas pessoais, contratar empresas próprias ou de parentes, e adquirir bens permanentes.
Ainda que as notas fiscais passem por auditoria interna, a transparência é pública: desde 2014, os comprovantes digitalizados podem ser consultados no portal da Câmara dos Deputados. A regra visa impedir abusos e garantir acesso às informações sobre o uso do dinheiro público.
Segundo as investigações que deram origem à operação desta sexta-feira, agentes públicos e particulares teriam atuado de forma coordenada para desviar recursos da cota parlamentar por meio de empresas de fachada, incluindo uma locadora de veículos. A ação é um desdobramento da operação Rent a Car, deflagrada no ano passado, e apura crimes de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Os mandados foram autorizados pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, e cumpridos no Distrito Federal e no Rio de Janeiro.
Após a operação, Sóstenes Cavalcante afirmou que é vítima de perseguição judicial. Ele explicou que recebeu dinheiro referente à venda de um imóvel, mas não chegou a depositá-lo por “correria de trabalho”, classificando a situação como um “lapso”. O deputado disse ainda não saber em qual endereço o dinheiro apreendido estava.
Carlos Jordy também publicou vídeos e notas nas redes sociais alegando perseguição política. O parlamentar afirmou que o contrato com a locadora citada existe desde 2019 e negou qualquer irregularidade. Ele criticou a PF e disse que a operação ocorre no momento em que ele e Sóstenes investigam fraudes bilionárias no INSS.
Os dois deputados negam envolvimento em desvio de recursos e afirmam que vão continuar colaborando com as investigações.
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