O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou o funcionamento do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e alertou para o risco de agravamento dos conflitos internacionais.
Durante discurso na 81ª Assembleia Geral, realizado nesta terça-feira (22), em Nova York, Lula afirmou que a organização enfrenta um dos momentos mais difíceis de sua história e precisa recuperar sua capacidade de atuar na prevenção de guerras.
Ao abordar o poder de veto das grandes potências, o presidente lembrou que o Brasil já havia alertado, em 1946, durante a primeira sessão da Assembleia Geral, sobre as consequências de permitir que determinados países bloqueiem decisões fundamentais para a comunidade internacional.
Segundo Lula, esse problema histórico se agravou diante de uma crise de liderança mundial, na qual interesses nacionais e disputas geopolíticas dificultam a construção de respostas conjuntas para os conflitos armados.
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Conselho de Segurança precisa agir, cobra Lula
O presidente defendeu que os líderes dos países integrantes do Conselho de Segurança se reúnam para enfrentar o agravamento das tensões internacionais.
Atualmente, Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido são os cinco membros permanentes do órgão com direito de veto. Esse mecanismo permite que qualquer um deles impeça a aprovação de determinadas resoluções, mesmo quando há apoio dos demais integrantes.
Na avaliação de Lula, a concentração desse poder contribui para a dificuldade de atuação da ONU em momentos decisivos, especialmente quando a proteção de populações vulneráveis depende de acordos entre as grandes potências.
Aumento dos conflitos preocupa
Outro ponto central do pronunciamento foi o crescimento da violência armada no mundo.
Lula destacou que 2025 registrou o maior número de conflitos armados desde a Segunda Guerra Mundial e chamou atenção para os trilhões de dólares destinados aos gastos militares.
Segundo dados citados em checagem do discurso, foram registrados 65 conflitos envolvendo governos em 2025, enquanto as despesas militares mundiais chegaram a aproximadamente US$ 2,9 trilhões.
Para o presidente, o avanço da corrida armamentista e o aumento das tensões geopolíticas ampliam o risco de confrontos regionais se transformarem em uma crise de alcance global.
Lula também questionou a aceitação do uso da força como instrumento para resolver disputas internacionais e cobrou responsabilidade dos governos que concentram as principais decisões sobre segurança mundial.
Presidente defende diplomacia para evitar novas guerras
Na parte final desse trecho do discurso, Lula afirmou que os líderes mundiais precisam agir com urgência para impedir que novas crises militares se agravem.
O presidente defendeu a negociação diplomática como caminho para solucionar conflitos e afirmou que o reconhecimento das relações de poder entre os países não deve servir de justificativa para abandonar o direito internacional.
Ao relacionar o avanço das guerras à incapacidade de negociação entre governos, Lula reforçou a posição brasileira em defesa de mudanças na estrutura da ONU e de uma participação mais ampla dos países nas decisões sobre paz e segurança.
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