Se faltava um cadáver para mostrar o risco do extremismo no ambiente eleitoral brasileiro, ele já existe. A vítima é o guarda municipal Marcelo Arruda, em Foz do Iguaçu, na região oeste do Paraná.
Ele foi assassinado no final da noite de sábado (09), quando comemorava o aniversário de 50 anos, em família. A festa planejada por amigos e familiares foi marcada pela temática petista, já que Marcelo era militante da legenda e apoiador da candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O aniversariante reagiu também efetuando disparos. O agressor ficou ferido. De acordo com a Polícia seu estado de saúde é estável. Ele está internado sob custódia das autoridades e foi autuado em flagrante.
Amigo próximo da vítima, André Alliana relata que instantes após os convidados cantarem “parabéns” para Marcelo, um homem desconhecido invadiu a área onde ocorria a celebração sob gritos e ofensas contra todos os presentes. Ele começou a gritar “Mito” e outras provocações. Era o agente penitenciário federal Jorge José da Rocha Guaranho.
“A festa era com temática do PT. Por volta das 23h um sujeito que ninguém conhecia apareceu xingando os convidados, chamando o Lula de desgraçado e esbravejando o nome do Bolsonaro. O maluco disse que voltaria para matar todo mundo. E ele voltou”, detalha Alliana, em portagem do Brasil de Fato.
Diante da flagrante ameaça de morte, Marcelo foi até seu carro buscar sua arma. Minutos depois, o agente penitenciário federal Jorge José da Rocha Guaranho retornou com pistola em punho já disparando contra o aniversariante. Segundo outras testemunhas que presenciaram o atentado, o autor do crime aparentava estar sob efeito de drogas, com sua esposa e filha em seu carro.
“A gente ouvia a esposa dele gritar pedindo pra ele ir embora e ele estava muito transtornado, com muito ódio. Xingando os petistas e dizendo que Bolsonaro seria eleito. Que Lula é bandido e que todos petistas deveriam morrer. Foi uma tragédia, algo sem cabimento. Estamos todos em choque”, compartilha uma das convidadas, que também presenciou o ocorrido e prefere não ter seu nome divulgado.
À esquerda, Marcelo Arruda, líder do PT que celebrava seus 50 anos com amigos numa festa temática petista. À direita, Jorge Guaranho, bandido que invadiu a festa gritando “aqui é Bolsonaro, porra!” e matou Marcelo a tiros. Mais uma morte causada pelo bolsonarismo. pic.twitter.com/kCANxhwkJu
— Bohn Gass (@BohnGass) July 10, 2022
Marcelo foi morto com dois tiros à queima roupa. Antes de tombar sem vida, conseguiu revidar e acertar três disparos em Jorge José, que também morreu após dar entrada no hospital.
“A verdade é que ele veio com a intenção de atirar mesmo em todo mundo. Só não morreu mais gente porque o cara não tinha uma boa mira. O Marcelo morreu e por conta dele a tragédia não foi ainda maior”, completa a testemunha sob a condição de anonimato.
Marcelo Arruda era filiado ao Partido dos Trabalhadores de Foz do Iguaçu. Durante as eleições municipais de 2020, disputou o cargo de candidato a vice-prefeito. Com quase 30 anos de serviços à Guarda Municipal da cidade, era diretor do Sindicato dos Servidores Públicos e tesoureiro do diretório municipal do partido. Deixa a esposa e quatro filhos, entre eles, um bebê de 1 mês.
Em seu perfil na rede social Facebook, André Alliana desabafou a perda do amigo.
“Quando digo que as pessoas estão doentes e que a falta de respeito e diálogo é uma tragédia, alguns acham que é exagero. As pessoas estão atacando por causa da política e agora sabemos que elas também jogam bombas e matam. Hoje eu perdi um dos meus melhores amigos”, escreveu, em trecho do texto.











