Mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro e documentos apreendidos pela Polícia Federal mostram que o empresário acompanhava pessoalmente pagamentos relacionados a dois negócios que teriam importância especial para ele.
Os contratos envolviam valores superiores a R$ 130 milhões cada e estavam relacionados à produção do filme Darkhorse, sobre Jair Bolsonaro, e à contratação do escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes.
As informações foram divulgadas pelo Metrópoles nesta segunda-feira (14). Segundo os documentos analisados pela PF, Vorcaro acompanhava diretamente a execução financeira dos dois acordos e cobrava informações sobre pagamentos pendentes.
Vorcaro cobrava pagamento relacionado ao filme
Em janeiro de 2025, Vorcaro questionou o cunhado, Fabiano Zettel, sobre o pagamento de uma parcela relacionada ao filme Darkhorse.
Nas mensagens analisadas pelos investigadores, o empresário demonstrou preocupação com o cumprimento do compromisso e classificou o pagamento como uma de suas principais prioridades financeiras naquele momento.
O contrato relacionado à produção teria sido estimado em aproximadamente R$ 131 milhões. Segundo os documentos analisados pela Polícia Federal, cerca de R$ 61 milhões teriam sido pagos até então.
O filme, que tem Jair Bolsonaro como personagem central, também passou a ser citado em investigações sobre sua produção e as fontes de financiamento utilizadas no projeto.
Escritório de Viviane Barci também aparece nas mensagens
Em março de 2025, dois meses depois das mensagens relacionadas ao filme, Vorcaro teria voltado a intervir diretamente em outro pagamento considerado prioritário.
Segundo os registros, o então banqueiro recebeu de Fábio Faria a informação de que havia um atraso em valores destinados ao escritório da advogada Viviane Barci de Moraes.
Na sequência, Vorcaro encaminhou a um funcionário, Ângelo Silva, uma ordem para que o pagamento fosse regularizado.
O contrato firmado com o escritório previa aproximadamente R$ 134 milhões ao longo de três anos. Os documentos analisados pela PF apontam que cerca de R$ 80 milhões teriam sido pagos até o momento considerado na investigação.
Mensagens e comprovantes foram analisados pela PF
As conversas entre os envolvidos e os comprovantes relacionados aos pagamentos foram apreendidos e posteriormente analisados pela Polícia Federal no âmbito das investigações que envolvem os negócios de Daniel Vorcaro.
Os registros passaram a integrar o conjunto de informações utilizado pelos investigadores para mapear relações comerciais, financeiras e empresariais mantidas pelo empresário.
A existência dos contratos e dos pagamentos, por si só, não comprova irregularidades. Eventuais suspeitas relacionadas às operações dependem da análise das autoridades responsáveis pelas investigações e de decisões posteriores da Justiça.
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