Mais de 33 milhões de brasileiros que não compareceram às urnas no primeiro turno passam a ocupar uma posição estratégica na disputa presidencial de 2026.
Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, as campanhas entram agora em uma nova fase, voltada não apenas à manutenção dos votos já conquistados, mas também à tentativa de mobilizar eleitores ausentes, indecisos e aqueles que escolheram outros candidatos no último domingo (4).
A abstenção no primeiro turno chegou a 21,08%, o equivalente a cerca de 33,4 milhões de pessoas.
Dos aproximadamente 158,7 milhões de eleitores aptos a votar, pouco mais de 125 milhões compareceram.
Índice foi o maior desde 1998
O percentual de ausência registrado neste ano foi o maior em um primeiro turno de eleições gerais desde 1998.
Em 2022, a abstenção havia ficado em 20,95% na primeira votação.
Naquele ano, o índice caiu levemente no segundo turno, para 20,59%.
O comportamento, no entanto, não segue necessariamente o mesmo padrão em todas as eleições. Em outros pleitos, o número de eleitores ausentes aumentou na etapa decisiva.
Milhões de votos entram novamente em disputa
O elevado número de pessoas que não participaram do primeiro turno cria um universo significativo de eleitores que poderá comparecer às urnas no próximo dia 25.
Especialistas em política destacam que, em disputas presidenciais com margens estreitas, mudanças relativamente pequenas no comparecimento podem alterar a distribuição final dos votos.
Isso não significa, porém, que os ausentes formem um grupo eleitoral uniforme.
Entre eles estão pessoas que não votaram por dificuldades de deslocamento, problemas pessoais, desinteresse, questões de saúde ou outros motivos.
Campanhas ampliam busca por novos eleitores
Além de tentar convencer quem ficou em casa no primeiro turno, as campanhas precisarão disputar o eleitorado que votou em candidatos que não avançaram.
Outro grupo relevante é formado pelos indecisos.
Nas próximas semanas, a tendência é de intensificação das agendas de rua, propaganda eleitoral e articulações políticas para ampliar o alcance das duas candidaturas presidenciais.
A eventual declaração de apoio de candidatos derrotados e partidos também poderá influenciar a campanha, embora o posicionamento das lideranças não represente transferência automática dos votos recebidos no primeiro turno.
TSE quer reduzir número de ausentes
A elevada abstenção também entrou no radar da Justiça Eleitoral.
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques, afirmou que a Corte pretende intensificar ações para tentar aumentar o comparecimento no segundo turno.
A intenção é aprimorar iniciativas de comunicação e mobilização antes da votação de 25 de outubro.
O desafio é especialmente relevante entre grupos nos quais a participação eleitoral costuma ser menor.
Brancos e nulos também somaram milhões
Além dos 33,4 milhões de eleitores ausentes, a disputa presidencial registrou aproximadamente 2,3 milhões de votos em branco e 3,6 milhões de votos nulos.
Esses votos não entram no cálculo dos votos válidos usados para definir o vencedor da eleição presidencial.
Ainda assim, os eleitores que votaram em branco ou anularam no primeiro turno também podem fazer uma escolha diferente na votação decisiva.
Quem faltou pode votar normalmente
A ausência no primeiro turno não impede o eleitor de participar do segundo.
Cada turno é considerado uma eleição independente. Dessa forma, quem não compareceu no domingo (4) poderá votar normalmente em 25 de outubro, desde que esteja com o título eleitoral regular.
A falta no primeiro turno, porém, continua precisando ser justificada ou regularizada conforme as regras da Justiça Eleitoral.
Com pouco menos de três semanas até a nova votação, a mobilização desse contingente de milhões de brasileiros deve ocupar espaço central nas estratégias das campanhas até o segundo turno.
*Compartilhe este conteúdo do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Estado do Rio.











