O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu uma atuação conjunta entre os países para combater o crime organizado, criticou o uso de tarifas comerciais como instrumento de pressão política e alertou para os riscos das mudanças climáticas.
As declarações foram feitas durante seu discurso na 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), nesta terça-feira (22), em Nova York.
Ao abordar a segurança pública, Lula rejeitou a presença de forças militares estrangeiras como resposta à criminalidade no Brasil.
Para o presidente, o combate às organizações criminosas depende principalmente de ações coordenadas entre governos, capazes de interromper a entrada de armas ilegais e a movimentação internacional de dinheiro proveniente do crime.
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Lula defende cooperação contra o crime organizado
O presidente afirmou que o Brasil está preparado para enfrentar as organizações criminosas, mas ressaltou que a responsabilidade pela segurança das fronteiras e pela proteção da população deve permanecer com as autoridades brasileiras.
Segundo ele, o país precisa de parceiros que ajudem a combater o tráfico internacional de armas, identificar operações de lavagem de dinheiro e atingir os responsáveis pelo financiamento das facções.
Lula informou que entregou pessoalmente ao presidente dos Estados Unidos uma proposta de cooperação para enfrentar a lavagem de dinheiro praticada por criminosos brasileiros no exterior.
A iniciativa busca fortalecer a troca de informações e a atuação das autoridades dos dois países, especialmente no rastreamento de recursos financeiros ligados às organizações criminosas.
Centro internacional reúne países amazônicos
Durante o pronunciamento, Lula destacou a criação do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, instalado em Manaus, no Amazonas.
A estrutura reúne autoridades de segurança pública dos nove países amazônicos para ampliar o compartilhamento de informações e a atuação conjunta contra crimes que ultrapassam fronteiras.
O presidente reconheceu que, durante muito tempo, os estados brasileiros enfrentaram a criminalidade de maneira isolada. Segundo ele, a falta de coordenação facilitou a expansão das organizações criminosas.
A proposta do centro é aproximar as forças de segurança e melhorar o enfrentamento de atividades como tráfico de drogas, armas e lavagem de dinheiro.
Presidente destaca operações contra facções e corrupção
Lula também apresentou ações realizadas pelo governo brasileiro no combate à criminalidade.
De acordo com o presidente, o país realizou, em 2025, a maior operação contra o crime organizado de sua história e alcançou recordes de apreensão de drogas, bens e recursos ilícitos.
Ele afirmou que as investigações precisam alcançar não apenas os integrantes das facções que atuam nas ruas, mas também os responsáveis pelo comando e financiamento dessas organizações.
O presidente citou ainda a aprovação da Lei Antifacção, destacando o endurecimento das penas aplicadas a integrantes de grupos criminosos.
Ao relacionar crime organizado e corrupção, Lula afirmou que o enfrentamento dessas práticas deve atingir todos os envolvidos, independentemente de posição econômica ou influência política.
Lula critica tarifas comerciais e enfraquecimento da OMC
A política econômica internacional também entrou no discurso.
Lula criticou governos que utilizam tarifas sobre produtos importados como forma de pressionar outros países. Na avaliação do presidente, essas medidas prejudicam o comércio internacional e enfraquecem os mecanismos de negociação entre as nações.
Ele também demonstrou preocupação com a situação da Organização Mundial do Comércio (OMC), responsável por estabelecer regras e ajudar a resolver disputas comerciais.
O presidente defendeu que os países busquem soluções por meio de acordos e instituições internacionais, em vez de recorrer a medidas unilaterais de pressão econômica.
As declarações ocorreram em meio às tensões comerciais provocadas pela política tarifária dos Estados Unidos e às discussões sobre o futuro das relações econômicas internacionais.
Campanhas antivacina e enfraquecimento da OMS preocupam
Na área da saúde, Lula criticou a disseminação de informações falsas e os movimentos contrários à vacinação.
O presidente lembrou as mortes provocadas pela pandemia de covid-19 e afirmou que o abandono das evidências científicas representa um risco para a saúde pública.
Segundo ele, campanhas antivacina contribuem para o retorno de doenças que haviam sido controladas por programas de imunização.
Lula também defendeu o fortalecimento da Organização Mundial da Saúde (OMS), ressaltando que o enfrentamento de epidemias e outras emergências sanitárias depende da cooperação entre países.
Super El Niño entra no alerta sobre mudanças climáticas
As mudanças climáticas ocuparam outro trecho do pronunciamento.
Lula criticou a perda de espaço das questões ambientais na agenda internacional e afirmou que o tema recebeu menos atenção nos debates do G7 e do G20 em 2026.
O presidente mencionou o derretimento das geleiras do Himalaia e alertou para os possíveis efeitos de um super El Niño, fenômeno associado ao aquecimento das águas do Oceano Pacífico equatorial.
Um episódio intenso pode alterar os padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do planeta, aumentando os riscos de secas, chuvas extremas e incêndios florestais.
Lula destacou que as populações mais vulneráveis tendem a sofrer de maneira mais intensa os impactos desses eventos, principalmente em regiões com menor infraestrutura e capacidade de resposta a desastres.
O presidente defendeu a retomada das discussões internacionais sobre redução das emissões de gases de efeito estufa e adaptação às mudanças climáticas.
Segurança, saúde e clima exigem ações conjuntas
Ao reunir os temas no discurso, Lula defendeu que os grandes desafios internacionais não podem ser enfrentados apenas por decisões isoladas de cada governo.
Na segurança pública, cobrou cooperação contra o financiamento das facções. Na economia, defendeu negociações comerciais sem pressões unilaterais. Na saúde e no meio ambiente, pediu o fortalecimento das instituições internacionais e das políticas baseadas em evidências científicas.
As declarações fizeram parte da defesa brasileira de uma atuação internacional voltada à cooperação entre países, à preservação da soberania nacional e à busca de soluções para problemas que ultrapassam fronteiras.
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