O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a se posicionar contra o conflito envolvendo o Irã e os Estados Unidos, classificando a ação militar como desnecessária e baseada em uma justificativa questionável. A declaração foi feita nesta quarta-feira (1º), durante entrevista à TV Cidade do Ceará.
Segundo Lula, a alegação de que o Irã estaria desenvolvendo armas nucleares não se sustenta. O presidente citou sua participação, em 2010, nas negociações que resultaram em um acordo entre Brasil, Turquia e o próprio Irã, com o objetivo de limitar o enriquecimento de urânio.
Na época, a proposta previa que o material nuclear iraniano fosse processado fora do país, reduzindo riscos de uso militar. Em contrapartida, o Irã receberia combustível enriquecido em níveis adequados para fins pacíficos, como aplicações médicas.
Apesar da iniciativa, o entendimento não foi aceito por potências ocidentais. Os Estados Unidos e países da União Europeia mantiveram a pressão por sanções internacionais, o que acabou levando a um novo acordo em 2016 — posteriormente abandonado pelos norte-americanos durante o governo de Donald Trump.
Atualmente, dados da Agência Internacional de Energia Atômica indicam que o Irã possui cerca de 440 quilos de urânio enriquecido a 60%. Especialistas apontam que, embora esse volume possa teoricamente ser utilizado para a produção de artefatos nucleares de menor potência, a transformação desse material em uma arma funcional exige etapas técnicas adicionais.
Durante a entrevista, Lula também fez comparações com conflitos anteriores, citando episódios em que alegações sobre armas de destruição em massa não foram comprovadas, como nos casos do Iraque e da Líbia.
O governo brasileiro já havia se manifestado oficialmente sobre a escalada de tensão no Oriente Médio. Em nota, o Ministério das Relações Exteriores expressou preocupação com os ataques realizados contra o Irã e destacou que a via diplomática é o único caminho possível para a resolução do conflito.
O Itamaraty também reforçou a necessidade de respeito ao Direito Internacional e pediu moderação por parte dos envolvidos, alertando para os riscos de agravamento da crise e impactos sobre a população civil.
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