O segundo dia do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e de outros sete réus no Supremo Tribunal Federal (STF) foi marcado por momentos de leveza incomuns diante da gravidade do caso. A sessão desta terça-feira (3) teve citações inusitadas, declarações de afeto e até piadas entre ministros.
Durante sua sustentação, o advogado Andrew Fernandes Farias, defensor do ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, recorreu a uma lembrança familiar:
“Minha sogra fala assim: ‘Às vezes, as palavras são como punhal, como uma arma. Machucam, doem’.”
A fala arrancou reações imediatas. O ministro Flávio Dino disparou: “Estou curioso!”. O relator do processo, Alexandre de Moraes, emendou: “A sua sogra fala isso ou as palavras dela são um punhal?”. O plenário, então, caiu em risadas.
Farias aproveitou para reforçar o tom bem-humorado
“Minha querida dona Zilda, eu tenho um amor profundo por ela. Ministro Dino, ministro Alexandre, tal qual Vossas Excelências, (ela) me trata, honestamente, muito melhor do que mereço”.
Defesa e críticas à acusação
Apesar das descontrações, o advogado atacou com firmeza a denúncia contra seu cliente, classificando-a como um “salto triplo carpado” do Ministério Público. Segundo ele, Paulo Sérgio foi um ministro de “espírito pacificador”, isolado por não apoiar a ruptura democrática.
Em sua fala, Farias acrescentou que o ex-ministro tentou dissuadir Bolsonaro de seguir propostas de “grupos radicais”. Diante da intervenção da ministra Cármen Lúcia — “Mas demovê-lo do quê?” —, admitiu que o então presidente chegou a discutir um plano de golpe.
Literatura e cultura no plenário
O advogado também recheou sua defesa com referências culturais, citando Belchior, Gonçalves Dias, Fernando Pessoa, Van Gogh e até “Alice Através do Espelho”, de Lewis Carroll.
Encerramento com nova piada
Já no fim de sua sustentação, o celular de Farias tocou. Dino não perdeu a oportunidade:
“Não esqueça de atender o telefone. Era sua sogra”.
A piada arrancou gargalhadas no plenário e viralizou nas redes sociais.
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