O Supremo Tribunal Federal (STF) deve concluir nesta semana um julgamento inédito na história política brasileira. A partir desta terça-feira, 9 de setembro, começam a ser proferidos os votos dos cinco ministros da 1ª Turma da Corte na ação penal que investiga a tentativa de golpe de Estado em 2022.
O processo envolve o chamado “núcleo crucial” da trama, composto pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e sete colaboradores de seu governo, entre eles cinco militares.
Em entrevista à Rádio Eldorado, o historiador Daniel Aarão Reis, professor emérito da Universidade Federal Fluminense, comentou sobre a relevância histórica do julgamento. Segundo ele, a história republicana do Brasil já enfrentou golpes e tentativas de golpes que nunca haviam sido apreciados pelo Judiciário.
“As anistias contribuíram para criar uma cultura golpista no Brasil”, afirmou.
O historiador ressaltou, porém, que uma eventual condenação judicial não resolve completamente o problema, destacando a presença contínua de ideias antidemocráticas tanto no Brasil quanto no cenário internacional.
“Não podemos ter ilusões de que uma condenação jurídica irá encerrar uma tradição. As ideias antidemocráticas estão em evidência no Brasil e no mundo”, acrescentou.
O julgamento é acompanhado com atenção por partidos políticos, especialistas e pela sociedade civil, devido à sua importância histórica e às possíveis consequências para a política brasileira nos próximos anos.
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