A corrida pelo governo do Estado do Rio ganhou um novo nome oficialmente respaldado por uma direção partidária. O Republicanos aprovou, sem votos contrários, a indicação de Anthony Garotinho para representar a legenda na disputa pelo Palácio Guanabara nas eleições de 2026.
O anúncio foi feito nesta segunda-feira (20), dois dias depois da reunião que reuniu a Comissão Executiva Estadual e integrantes das bancadas fluminenses na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa.
A decisão interna ainda será submetida à Convenção Estadual do Republicanos, programada para o próximo sábado (25). O encontro partidário terá a responsabilidade de homologar as candidaturas da legenda e definir os nomes que serão apresentados à Justiça Eleitoral.
Até essa formalização, Garotinho permanece como pré-candidato. Caso seja confirmado pelos convencionais, o Republicanos deverá preparar a documentação necessária para solicitar o registro da candidatura ao Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro.
Levantamentos orientaram escolha
A direção estadual informou que a definição foi tomada depois de discussões sobre o cenário político e da análise de pesquisas encomendadas pelo partido.
Os estudos teriam avaliado o desempenho dos possíveis candidatos, o grau de conhecimento dos nomes e as condições eleitorais do Republicanos nas diferentes regiões do estado.
Com o apoio unânime, Garotinho passa a concentrar as articulações da legenda para a formação da chapa majoritária. As próximas negociações deverão envolver a escolha do candidato a vice-governador e a construção de alianças com outras siglas.
Também estarão em discussão as candidaturas para as duas vagas ao Senado, além das listas destinadas à Câmara dos Deputados e à Assembleia Legislativa.
Experiência no comando estadual
Natural de Campos dos Goytacazes, Anthony Garotinho possui uma trajetória política iniciada no Norte Fluminense e ampliada posteriormente para os cenários estadual e nacional.
Ele foi prefeito de Campos antes de conquistar o governo do Rio, cargo que exerceu entre 1999 e 2002. Garotinho deixou o Palácio Guanabara antes do término do mandato para concorrer à Presidência da República.
Na disputa presidencial daquele ano, terminou o primeiro turno na terceira colocação. Depois disso, continuou participando da política, exerceu mandato de deputado federal e ocupou funções partidárias e administrativas.
Sua mulher, Rosinha Garotinho, também construiu carreira política. Ela governou o Estado do Rio e, posteriormente, comandou a Prefeitura de Campos dos Goytacazes.
Com a nova pré-candidatura, Garotinho tenta voltar ao governo estadual mais de duas décadas depois de sua primeira passagem pelo cargo.
STF anulou condenação
O retorno às articulações eleitorais foi fortalecido por uma decisão do Supremo Tribunal Federal que anulou a condenação de Garotinho relacionada à Operação Chequinho.
O ex-governador havia recebido uma pena de 13 anos e nove meses de prisão por crimes como corrupção eleitoral, associação criminosa, supressão de documento público e coação no curso do processo.
A condenação também produzia consequências sobre seus direitos políticos e dificultava sua participação em novas disputas.
Ao analisar o caso, o STF reconheceu irregularidades envolvendo as provas que sustentaram a investigação. Com isso, a sentença foi anulada e perdeu seus efeitos jurídicos.
A decisão não correspondeu a um novo julgamento sobre todas as acusações. O entendimento se concentrou na forma como o material utilizado no processo foi obtido, armazenado e apresentado.
Defesa sempre contestou acusações
A Operação Chequinho investigou suspeitas de utilização eleitoral do programa Cheque Cidadão, mantido pela Prefeitura de Campos.
O benefício atendia famílias em situação de vulnerabilidade social. De acordo com a acusação, novos beneficiários teriam sido incluídos no programa antes das eleições municipais de 2016 em troca de apoio a candidatos ligados ao grupo político de Garotinho.
Naquele período, Rosinha Garotinho era prefeita, enquanto o ex-governador ocupava o cargo de secretário municipal de Governo.
O Ministério Público Eleitoral sustentava que o programa social havia sido utilizado para influenciar votos e beneficiar aliados durante a campanha.
Garotinho e seus defensores sempre negaram a existência de compra de votos. A defesa afirmava que as inclusões obedeciam a critérios administrativos e questionava a legalidade das provas utilizadas pela acusação.
Candidatura ainda será analisada
A anulação da condenação removeu um dos principais obstáculos enfrentados pelo ex-governador, mas não garante automaticamente o deferimento de sua candidatura.
Depois da convenção partidária, o Republicanos deverá encaminhar o pedido de registro à Justiça Eleitoral. O TRE-RJ verificará se Garotinho atende às condições de elegibilidade e se existe algum outro impedimento previsto em lei.
O processo poderá receber manifestações do Ministério Público Eleitoral, de partidos adversários ou de outros candidatos.
Enquanto o registro não for analisado, o ex-governador poderá participar da pré-campanha e das articulações internas, respeitando as limitações estabelecidas pela legislação eleitoral.
Republicanos busca candidatura própria
A indicação de Garotinho demonstra que o Republicanos pretende disputar o comando estadual com nome próprio.
A decisão aumenta o peso da legenda nas negociações políticas e pode influenciar a formação de outras chapas no Rio de Janeiro.
Com uma candidatura conhecida do eleitorado, o partido poderá buscar alianças que fortaleçam sua presença na capital, na Região Metropolitana, na Baixada Fluminense e no interior.
A base política de Garotinho está historicamente concentrada em Campos e no Norte Fluminense. Para construir uma candidatura competitiva em todo o estado, será necessário ampliar o desempenho em áreas nas quais seu grupo possui menor influência.
As articulações também deverão considerar a escolha de um vice capaz de complementar a chapa eleitoralmente, politicamente ou regionalmente.
Trajetória será tema da campanha
Durante a disputa, Garotinho deverá apresentar sua experiência no governo e defender programas associados às administrações comandadas por ele e por seus aliados.
Temas como segurança pública, saúde, assistência social, desenvolvimento econômico e redução das desigualdades poderão ocupar espaço central em seu discurso.
Os adversários, por outro lado, deverão explorar os processos judiciais, as controvérsias administrativas e os conflitos políticos acumulados ao longo de sua carreira.
A campanha poderá se transformar em uma disputa entre a lembrança das ações realizadas quando Garotinho governou o estado e os questionamentos relacionados à sua trajetória posterior.
Convenção definirá próximos passos
O encontro de sábado será determinante para transformar a indicação partidária em uma candidatura formalmente aprovada.
A convenção deverá reunir dirigentes, parlamentares, filiados e pré-candidatos para decidir não apenas o nome ao governo, mas também os concorrentes aos demais cargos.
O Republicanos poderá aproveitar o evento para apresentar alianças, anunciar integrantes da chapa majoritária e definir a estratégia eleitoral da legenda.
Após a homologação, começará a etapa de preparação do registro e da estrutura de campanha.
A aprovação unânime representa o primeiro movimento oficial do partido. A confirmação na convenção e a análise da Justiça Eleitoral serão os próximos passos para determinar se Anthony Garotinho estará novamente nas urnas tentando comandar o Estado do Rio de Janeiro.
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