Brasília, 20/10/2025 — Em depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, a advogada Tonia Andrea Galleti, ex-integrante do Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS), afirmou que denuncia há pelo menos seis anos fraudes nos descontos em folha de pagamento de aposentados e pensionistas do INSS.
Segundo ela, as irregularidades envolvem a filiação indevida de beneficiários a entidades associativas, com descontos automáticos não autorizados. A suspeita é de que essas entidades atuem como fachadas para captar recursos de forma ilegal, em conluio com empresas e instituições financeiras.
“Desde 2019 eu aviso às autoridades do INSS, Ministério da Previdência e até ao próprio Conselho. Falei sempre que havia um ‘jabuti na árvore’”, declarou Galleti, citando a famosa expressão política para indicar algo fora do lugar.
Tonia atua como coordenadora jurídica do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi) e contou que os primeiros alertas vieram de associados que descobriram, de forma inesperada, que haviam sido desligados do sindicato e filiados a outras entidades.
Ela afirmou ainda que tentou colocar o tema em pauta em reuniões do CNPS, mas não obteve retorno. Segundo investigação da Polícia Federal, entre 2020 e 2024, o número de filiações com desconto em folha passou de 18 mil para 1,4 milhão — um crescimento de mais de 7.000%.
Relação com o Banco BMG e empresa CMG
O relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), apontou indícios de uma parceria entre o Sindnapi e a corretora de seguros CMG, ligada ao Banco BMG. A partir de 2019, essa parceria teria impulsionado o número de associados do sindicato, que saltou de 145 mil para 366 mil em três anos.
Gaspar afirmou que os descontos foram aplicados sem o consentimento dos aposentados e que o Sindnapi teria recebido cerca de R$ 600 milhões com essas filiações. Ele ainda questionou pagamentos de mais de R$ 20 milhões a empresas ligadas à família de Tonia.
“A vida do Sindnapi se encontrou com a do BMG. O crescimento dos associados foi fora do padrão”, disse o relator.
Tonia negou qualquer irregularidade e afirmou que o crescimento do sindicato foi orgânico e dentro da legalidade. Segundo ela, a entidade sempre viveu de mensalidades e nunca forjou fichas ou documentos.
“As entidades sérias estão sendo jogadas no mesmo balaio das falsas. E isso desestimula quem tenta denunciar. Estão matando o mensageiro”, protestou.
Ela também se defendeu das acusações de favorecimento familiar:
“Minha família trabalhou duro, 10, 11 horas por dia. Não aceito ser chamada de ladra. Se houve algum exagero, foi moral, não ilegal.”
Esquema bilionário em investigação
Ainda nesta segunda-feira, a CPMI ouve Felipe Macedo Gomes, ex-presidente da Amar Brasil Clube de Benefícios (ABCB), apontado como operador de um esquema que teria movimentado R$ 1,1 bilhão entre 2022 e 2024.
A entidade é acusada de descontar até 2,5% dos benefícios previdenciários de milhares de aposentados, sem autorização expressa. Documentos apontam que a ABCB atuava como fachada para desvio de recursos via convênios com o INSS.
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