O ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, determinou a abertura de uma investigação sigilosa para apurar possíveis irregularidades no envio de emendas parlamentares destinadas a organizações não governamentais e projetos culturais.
Entre os casos que passarão a ser analisados está a produção do filme sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A decisão foi tomada nesta sexta-feira (15) após o recebimento de informações encaminhadas pelos deputados federais Pastor Henrique Vieira e Tabata Amaral, que questionam a destinação de recursos públicos a entidades ligadas a projetos culturais e audiovisuais.
Segundo os documentos enviados ao STF, as suspeitas envolvem repasses de emendas parlamentares para o Instituto Conhecer Brasil, a Academia Nacional de Cultura e a produtora Go Up Entertainment, responsável pelo longa sobre Bolsonaro.
As verbas teriam sido destinadas por parlamentares ligados à base conservadora, incluindo os deputados Mário Frias, Bia Kicis e Marcos Pollon.
Diante das denúncias, Flávio Dino determinou que os parlamentares citados apresentassem esclarecimentos sobre a destinação dos recursos públicos. Segundo informações do processo, apenas Mário Frias ainda não teria enviado manifestação formal ao Supremo.
O caso ganhou maior repercussão após a divulgação de informações sobre um suposto pedido de R$ 134 milhões feito pelo senador Flávio Bolsonaro ao empresário Daniel Vorcaro para financiar a produção cinematográfica.
Com o avanço das revelações, Tabata Amaral reforçou os questionamentos sobre a origem dos recursos utilizados no projeto audiovisual.
Entre os pontos levantados pela parlamentar estão o elevado custo da produção, dificuldades financeiras relatadas pela equipe do filme, a atuação de Mário Frias na busca por financiamento e versões divergentes apresentadas sobre quem teria financiado a obra.
A deputada também pediu maior transparência na utilização das emendas parlamentares e uma análise detalhada sobre possíveis padrões na destinação dos recursos públicos às entidades investigadas.
O procedimento seguirá sob sigilo no STF enquanto documentos, contratos e movimentações financeiras relacionadas às emendas e ao financiamento do filme continuam sendo analisados pelas autoridades.
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