Registros de tráfego aéreo mostram que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) viajou, em janeiro de 2025, em um avião executivo que meses depois também foi utilizado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e por sua esposa, Viviane Barci de Moraes.
A informação foi divulgada pela revista piauí nesta quarta-feira (23) e também repercutida por outros veículos. A aeronave é um Embraer Legacy 650, de prefixo PP-NLR. Segundo a publicação, uma das cotistas do avião era a Prime You, empresa que tinha Daniel Vorcaro entre seus sócios na época.
A viagem de Flávio ocorreu em 19 de janeiro de 2025, no trajeto entre Fort Lauderdale, na Flórida, e Brasília. O senador estava acompanhado da esposa, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, das duas filhas e do advogado e empresário Willer Tomaz.
Como era a estrutura do avião
De acordo com a piauí, a propriedade formal do Legacy 650 estava registrada em nome da Fraction 024, cuja estrutura era dividida em três cotas. Uma delas pertencia a Willer Tomaz, outra a Laércio Cosentino, fundador da TOTVS, e a terceira havia sido adquirida pela Prime You no fim de 2024.
A Prime You também estava ligada à operação da aeronave por meio da Prime Aviation Táxi Aéreo e Serviços. Daniel Vorcaro foi sócio da Prime You entre 2021 e setembro de 2025, segundo informações citadas pela revista.
Em agosto de 2025, o mesmo avião foi utilizado por Alexandre de Moraes e Viviane Barci de Moraes em uma viagem ao Rio de Janeiro. Imagens do desembarque do casal foram divulgadas anteriormente e chamaram atenção para a ligação da aeronave com empresas relacionadas a Vorcaro.
Willer Tomaz também estava no voo
Willer Tomaz, que estava entre os passageiros do voo de janeiro, confirmou à piauí que possuía uma das três cotas da aeronave.
Segundo o advogado, a Prime You era responsável pela administração e pela organização da agenda de utilização do avião. Ele afirmou ainda que costumava disponibilizar assentos livres para amigos que viajavam para o mesmo destino, sem cobrança ou contrapartida. Não ficou esclarecido publicamente se Flávio e seus familiares viajaram a convite de Tomaz.
Tomaz também declarou que só tomou conhecimento em abril de 2026 de que Vorcaro teria adquirido uma participação relacionada à aeronave. Depois disso, afirmou ter encerrado o contrato com a Prime You e iniciado uma disputa judicial com a empresa.
O advogado já foi preso em uma investigação relacionada ao caso JBS e atualmente é investigado em apurações sobre fraudes envolvendo descontos em benefícios do INSS. A existência de uma investigação, porém, não significa condenação ou comprovação de participação nos crimes apurados.
Viagem ocorreu durante negociações sobre “Dark Horse”
A viagem de Flávio Bolsonaro aconteceu enquanto estavam em andamento negociações relacionadas ao financiamento do filme “Dark Horse”, produção sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo reportagens baseadas em documentos da investigação, estava previsto um primeiro repasse de US$ 2 milhões para o projeto em janeiro de 2025. A transferência, no entanto, acabou sendo realizada em 13 de fevereiro daquele ano, quando US$ 2 milhões foram enviados pela Entre Investimentos e Participações ao Havengate Development Fund, nos Estados Unidos.
A Polícia Federal investiga o caminho dos recursos e as circunstâncias envolvendo o financiamento do longa. Documentos analisados pela investigação indicam que o fundo recebeu posteriormente outros valores relacionados ao projeto.
A CNN informou, com base em relatório da Polícia Federal, que a transferência inicial ocorreu depois de dificuldades para realizar o pagamento por outra estrutura. O relatório também aponta que o Havengate havia sido criado originalmente para uma finalidade imobiliária e permaneceu sem movimentação relevante durante anos antes de receber os recursos relacionados ao filme.
Senador não comentou a viagem
A piauí informou que procurou Flávio Bolsonaro para obter esclarecimentos sobre a viagem, mas não recebeu resposta. A defesa de Daniel Vorcaro também não se manifestou sobre o caso.
Willer Tomaz apresentou sua versão sobre a participação na aeronave e afirmou não conhecer Vorcaro nem ter mantido relações comerciais com ele. As informações sobre os vínculos societários e os voos fazem parte de registros e reportagens que estão sendo analisados no contexto das investigações em andamento.
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