A disputa pela Presidência da República será decidida em segundo turno entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O candidato do PL terminou a primeira etapa da eleição na liderança e, após a confirmação do resultado, afirmou que a votação representa uma mudança no cenário político brasileiro.
“Está decretado o fim da era do PT”, declarou Flávio durante um discurso neste domingo (4). O senador também afirmou estar otimista com a possibilidade de conquistar a Presidência no segundo turno, marcado para 25 de outubro.
Na avaliação do candidato, os governos do PT deixaram como legado uma série de resultados negativos. Entre os exemplos citados por ele estão o número de mulheres assassinadas, o endividamento dos brasileiros, os impostos elevados, a desesperança e o fechamento de empresas. As afirmações fazem parte da avaliação política apresentada pelo candidato sobre os governos petistas.
“Eu estou muito feliz com a possibilidade real de daqui a três semanas o Brasil dar uma resposta definitiva”, afirmou.
Críticas ao governo Lula e ao STF
Durante o pronunciamento, Flávio também voltou a criticar o governo Lula e o Supremo Tribunal Federal (STF).
Ao falar sobre um eventual governo, o senador afirmou que poderá indicar até quatro ministros para o STF durante o mandato e disse que pretende escolher nomes que, segundo ele, não atuem para interferir em eleições.
A possibilidade de quatro indicações está relacionada às vagas que podem surgir na Corte entre 2027 e 2030. A declaração foi apresentada pelo candidato como parte de sua proposta para o funcionamento do Judiciário.
Flávio também criticou os gastos do governo federal no ano eleitoral. Segundo ele, Lula teria utilizado mais de R$ 350 bilhões para tentar vencer a eleição.
A afirmação, porém, foi contestada por checagens que apontaram um valor inferior e ressaltaram que parte dos recursos mencionados corresponde a renúncias fiscais, e não a gastos diretos do governo.
O candidato também defendeu uma campanha de segundo turno baseada, segundo suas palavras, em uma “campanha limpa” e voltou a afirmar que pretende acabar com a possibilidade de reeleição presidencial caso seja eleito.
Flávio termina primeiro turno à frente de Lula
Com praticamente todas as urnas apuradas, Flávio Bolsonaro recebeu 56.104.268 votos, o equivalente a 47,03% dos votos válidos. Lula ficou com 53.876.617 votos, ou 45,16%. A diferença entre os dois foi de pouco mais de 2,2 milhões de votos.
Os dois avançaram para o segundo turno, enquanto os demais candidatos ficaram fora da disputa presidencial.
O resultado contrariou as principais pesquisas divulgadas antes da votação, que indicavam Lula numericamente à frente ou em situação de empate técnico com Flávio.
A votação de Flávio também ficou acima do percentual obtido por Jair Bolsonaro no primeiro turno de 2018. Naquela eleição, o então candidato pelo PSL recebeu 46,03% dos votos válidos e avançou para o segundo turno contra Fernando Haddad.
A comparação, entretanto, considera apenas o percentual de votos válidos registrado no primeiro turno de cada eleição.
Segundo turno será em 25 de outubro
Com a definição da disputa entre Flávio Bolsonaro e Lula, as duas campanhas terão três semanas para buscar apoio entre eleitores dos candidatos que ficaram fora da corrida presidencial e ampliar suas alianças políticas.
A votação decisiva está marcada para 25 de outubro. Como nenhum dos dois candidatos alcançou mais da metade dos votos válidos no primeiro turno, a Presidência será definida na segunda etapa da eleição.
PF apura possível interferência estrangeira
No mesmo domingo da votação, a Polícia Federal confirmou que iniciou uma apuração preliminar sobre uma possível interferência estrangeira nas eleições brasileiras.
O procedimento foi solicitado pela Advocacia-Geral da União (AGU) após uma reportagem do jornal britânico The Guardian mencionar um suposto financiamento de US$ 1 milhão, proveniente de recursos ligados ao governo dos Estados Unidos, para uma iniciativa relacionada a críticas ao Supremo Tribunal Federal.
Segundo o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, a investigação está em fase preliminar e ainda não havia sido instaurado formalmente um inquérito policial. A apuração deverá analisar as informações recebidas e verificar a origem, o destino e a finalidade dos recursos mencionados.
Até o momento, não há comprovação de que esses recursos tenham sido destinados à campanha de Flávio Bolsonaro. A existência de um eventual repasse também não comprova, por si só, financiamento ou coordenação da campanha do candidato.
Durante o domingo, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, afirmou que não havia indicativos de interferência estrangeira capazes de comprometer o processo eleitoral.
A investigação da PF deverá esclarecer se houve alguma tentativa efetiva de interferência no processo eleitoral brasileiro e qual teria sido a finalidade dos recursos citados na denúncia.
*Compartilhe este conteúdo do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Estado do Rio.











