Se em janeiro de 2021 militantes de extrema direita dos EUA tentaram submeter o país a um golpe por meio de assalto ao Capitólio, no Brasil, neste domingo, 8 de janeiro de 2023, os apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro seguiram o mesmo roteiro.
Um grupo de inconformados com o resultado das eleições invadiu o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal (STF). A invasão começou após a barreira formada por policiais militares na Esplanada dos Ministério, que estava fechada, ter sido rompida.
O Congresso Nacional foi o primeiro a ser invadido, com os manifestantes ocupando a rampa do Planalto e soltando foguetes. Depois eles quebraram vidro do Salão Negro do Congresso e danificaram o plenário da Casa.
Após a depredação no Congresso, eles invadiram o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal (STF). No STF, quebraram vidros e móveis.
As imagens mostram que o efetivo de policiais militares que estava nas proximidades do Congresso Nacional usou sprays de pimenta em uma tentativa sem sucesso de conter os manifestantes que entoavam palavras de ordem golpistas.
Reações aos atos extremistas
As reações das autoridades foram imediatas, no sentido de mandar conter a turba extremista. Via redes sociais, o ministro da Justiça, Flávio Dino, disse que “essa absurda tentativa de impor a vontade pela força não vai prevalecer”. Ele acrescentou ter ouvido do governo do Distrito Federal que o efetivo seria reforçado. “As forças de que dispomos estão agindo. Estou na sede do Ministério da Justiça”, escreveu o ministro.
Essa absurda tentativa de impor a vontade pela força não vai prevalecer. O Governo do Distrito Federal afirma que haverá reforços. E as forças de que dispomos estão agindo. Estou na sede do Ministério da Justiça.
— Flávio Dino 🇧🇷 (@FlavioDino) January 8, 2023
Ex-ministro da Justiça do governo Bolsonaro e atual secretário de Segurança Pública do Governo do Distrito Federal, Anderson Torres, que se encontra nos Estados Unidos, disse, via Twitter, ter determinado ao setor de operações “providências imediatas para o restabelecimento da ordem no centro de Brasília”.
O ministro-chefe da Secretaria de Comunicação, Paulo Pimenta, disse nas redes sociais, que tem certeza que a maioria dos brasileiros quer união e paz para que o Brasil siga em frente.
“Essa manifestação é de uma minoria golpista que não aceita o resultado da eleição e que prega a violência. Uma minoria violenta, que vai ser tratada com o rigor da lei”.
Os presidentes dos legislativos também se manifestaram. O presidente do Senado e do Congresso Nacional, Rodrigo Pacheco, disse repudiar “veementemente esses atos antidemocráticos”, que, segundo ele, deverão “sofrer o rigor da lei com urgência”.
“Conversei há pouco, por telefone, com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, com quem venho mantendo contato permanente. O governador me informou que está concentrando os esforços de todo o aparato policial no sentido de controlar a situação”, disse Pacheco.
O presidente da Câmara, Arthur Lira, publicou nas redes sociais que o Congresso Social jamais negou “voz a quem queira se manifestar pacificamente”. “Mas nunca dará espaço para a baderna, a destruição e vandalismo.
“Na postagem, Lira diz que os responsáveis que “romoveram e acorbetaram esse ataque à democracia brasileira e aos seus principais símbolos devem ser identificados e punidos na forma da lei”.
“A democracia pressupõe alternância de poder, divergências de pontos de vista, mas não admite as cenas deprimentes que o Brasil é supreendido nesse momento. Agiremos com rigor para preservar a liberdade, a democracia e o respeito à Constituição”, escreveu Lira.
O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro repudiou o ato antidemocrático por meio de uma postagem em seu twitter. Confira:
Em um ambiente democrático, as cenas que vemos em Brasília são inadmissíveis. Atitudes como essas mancham a imagem do Brasil e não contribuem em nada para o nosso futuro. Manifestações pacíficas fazem parte da democracia, vandalismo não!
— Cláudio Castro (@claudiocastroRJ) January 8, 2023
Nos EUA, o rigor da lei
O Comitê Especial da Câmara dos Deputados dos EUA, que investiga os atos antidemocráticos de janeiro de 2021 no Capitólio, vai pedir ao Departamento de Justiça que apresente pelo menos três acusações criminais contra o ex-presidente Donald Trump.
Os atos de insurreição no Capitólio aconteceram a após a derrota do republicano Donald Trump (que disputava reeleição) para o presidente democrata Joe Biden.
O que acontece no Brasil, guardadas as devidas proporções, é um ato similar. Após a derrota do presidente Jair Bolsonaro para Luiz Inácio Lula da Silva, na eleição do ano passado, apoiadores do ex-presidente iniciaram vigílias em frente aos quartéis do Exército pedindo um golpe militar.
Tanto essas vigílias quanto essas manifestações em Brasília são financiadas e alguns dos patrocinadores já foram identificados e tiveram contas bancárias bloqueadas pela justiça.
Nos EUA, após o episódio do Capitólio, um dos principais estrategistas desses movimentos de extrema direita pelo mundo, Steve Bannon foi condenado por um júri no tribunal de Washington, DC, por desacato ao Congresso.
Bannon se recusou a receber uma intimação para testemunhar perante o comitê liderado por parlamentares do Partido Democrata e republicanos opositores de Trump, também chamado de Comitê de 6 de janeiro.
O comitê investiga o motim pró-Trump e o réu chamou o processo contra ele de “show trial” (drama jurídico).
*De Fonte Exclusiva com informações da EBC. Compartilhe esta reportagem do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Rio de Janeiro.











