Alvo de uma operação da Polícia Federal na sexta-feira (26), o deputado Gustavo Gayer (PL-GO), é apontado como “autor intelectual” de um esquema de desvio de verbas parlamentares e a falsificação de documentos para a criação de organização da sociedade civil.
Segundo a Procuradoria Geral da República (PGR) e o Supremo Federal (STF), ele era responsável por direcionar e autorizar as atividades dos demais integrantes do grupo.
“Era Gayer quem direcionava seus assessores na organização de seus empreendimentos privados mantidos com recursos públicos”, destacou Alexandre de Moraes na decisão.
Foram executados 18 mandados de busca e apreensão autorizados pelo STF. Pelas redes sociais, o deputado negou envolvimento com o esquema e atribuiu a ação à proximidade com as eleições. Ele não é candidato, mas apoia um dos concorrentes à prefeitura de Goiânia.
Segundo a PGR, o grupo teria feito simulações contratuais para isso. Foram encontradas evidências de, ao menos, duas falsificações de documentos. Entre elas, uma ata de reunião para a constituição dessa Organização da Sociedade Civil, com data retroativa ao ano de 2003. Quadro social à época que seria formado por crianças de 1 a 9 anos, o que o configura “inconsistências indicativas do crime de falsidade ideológica”, de acordo com a decisão da PGR.
A Polícia Federal fala em “expedientes fraudulentos, consistentes falsificações de documentos e empenho de custos empresariais à conta pública”.
O parlamentar coleciona polêmicas. No ano passado foi denunciado pela Procuradoria Geral da República por injúria contra o presidente Lula e racismo contra o então ministro dos Direitos Humanos, Sílvio Almeida. Declarações feitas durante um podcast. Depois, foi condenado pela Justiça do Trabalho de Goiás, mas, dessa vez, ao pagamento de 80 mil reais por assédio eleitoral (por ter promovido propaganda eleitoral irregular).
Entenda detalhes das investigações
As investigações mostram que uma associação criminosa atuava no desvio de dinheiro de cota parlamentar para beneficiar uma organização da sociedade civil de fachada. A figura central do grupo seria o parlamentar do PL.
As verbas que deveriam ser usadas para cobrir despesas do mandato, como transporte, alimentação e hospedagem, também seriam usadas para custear empresas de Gayer de forma fraudulenta.
O deputado teria empregado os seus secretários parlamentares, remunerados com recursos públicos, para o desempenho de demandas privadas, bem como teria utilizado verbas públicas para manter, ainda que parcialmente, essas atividades.
Segundo a Polícia Federal, quatro crimes teriam sido cometidos no desvio de dinheiro público: associação criminosa, falsidade ideológica, falsificação de documento e peculato.
Durante a Operação, cerca de 60 policiais cumpriram 19 mandados de busca e apreensão em Brasília e nos municípios goianos de Valparaíso de Goiás, Cidade Ocidental, Aparecida de Goiânia e Goiânia. Na casa de um dos assessores do deputado federal, a PF encontrou R$ 72 mil em dinheiro vivo.
Outro lado
Pelas redes sociais, Gustavo Gayer negou ter praticado qualquer crime e disse que nunca destinou verba pública para a organização da sociedade civil citada na decisão do STF.
Sobre as empresas em nome dele, o deputado afirmou que o escritório político fica no antigo endereço de uma escola online que ele possui e que a outra empresa é uma loja de camisetas que nem existe mais.
*Da Agência Fonte Exclusiva com informações da EBC, TV Brasil e Direto da Redação. Compartilhe esta notícia do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Rio de Janeiro.










