A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (16) a Operação Unha e Carne 2, que investiga o vazamento de informações sigilosas por agentes públicos, resultando na violação da Operação Zargun – deflagrada em setembro e com o deputado Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Joias (MDB-RJ) entre os alvos.
A ação incluiu o cumprimento de um mandado de prisão preventiva e dez mandados de busca e apreensão, todos expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), nos estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo. Os alvos principais foram o desembargador do TRF-2 Macário Ramos Judice Neto e assessores da Alerj, um deles ligado ao gabinete do deputado Rodrigo Bacellar. Contrariando informações iniciais da mídia, Bacellar não foi alvo nesta segunda fase da operação.
A iniciativa se insere no julgamento da ADPF 635/RJ (ADPF das Favelas), no qual o STF determinou que a PF investigue grupos violentos no Rio e suas conexões com agentes públicos. Os mandados foram autorizados pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso.
Ministro induzido a erro, diz defesa
O advogado Fernando Augusto Fernandes, que defende o desembargador, criticou a medida como “extrema” e afirmou que Moraes foi induzido a erro. Ele reclamou da falta de cópia da decisão judicial, o que, segundo ele, impediu o contraditório e a ampla defesa. A defesa prometida apresentando esclarecimentos nos autos e pedir soltura imediata.
Apurações indicam que as buscas em imóveis ligadas a Judice não encontraram nada relevante, e o nome de sua esposa não constava nos mandados. Até o fim da manhã, o desembargador estava na sede da PF, na sala do Estado Maior. A defesa classificou os motivos da prisão como “inverídicos” e destacou que o processo de TH Joias, sob relatoria de Macário, seria redistribuído por determinação dele próprio.
Enquanto aguardava o acesso à decisão de Moraes para protocolar o habeas corpus, a defesa questionou: “É preciso investigar a quem interessa o afastamento do desembargador que determinou prisões no Rio de Janeiro e a criação de versões mentirosas”.
Todos os alvos das decisões de Júdice estariam presos, com medidas cautelares de sequestro e prisão pendentes de ratificação pelo Tribunal. As medidas contra a TH Joias também precisam de nova validação para não perderem validade.
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