Seguindo a tradição, o Brasil foi o primeiro país a discursar na abertura da Assembleia-Geral da ONU, em Nova Iorque, nesta terça-feira (20) e o presidente, Jair Bolsonaro (PL), aproveitou a ocasião para pautar sua agenda eleitoral diante de vários chefes de Estados.
Durante discurso, Bolsonaro fez críticas indiretas ao adversário Luiz Inácio Lula da Silva, ao falar sobre corrupção e delações, lembrando devolução de dinheiro ao erário por parte de réus condenados na Operação Lava Jato.
Criticou também os governos de esquerda na América Latina, citando nominalmente a Venezuela e Nicarágua, e prestou contas sobre o que definiu como bom desempenho do seu governo na área econômica, social e no combate à pandemia, ainda que o Conselho Nacional de Saúde tenha rejeitado, por unanimidade, as contas do Ministério da Saúde em função do desempenho pífio no combate a pandemia do novo coronavírus.
Ainda na tarde desta terça-feira, Bolsonaro manteve o tom de ataques aos governos de esquerda. Por meio do seu Twitter, atacou o governo de Daniel Ortega, na Nicarágua, que enfrenta resistência de setores da igreja da imprensa no país.
– O Brasil não assistirá de braços cruzados a mais um episódio dessa perseguição diabólica contra cristãos promovida pela ditadura socialista da Nicarágua. Estamos prontos para acolher padres e freiras perseguidos, facilitando ainda mais seu ingresso e instalação em nosso país.
— Jair M. Bolsonaro 2️⃣2️⃣ (@jairbolsonaro) September 20, 2022
Protestos em Nova Iorque
O presidente chegou aos EUA após participar do funeral da rainha Elizabeth II, em Londres. Entre os encontros bilaterais marcados com chefes de Estados nos EUA, constam na agenda com Andrzej Duda, presidente da Polônia; Guillermo Lasso do Equador; Alejandro Giammattei da Guatemala e Aleksandar Vucic da Sérvia.
Antes do começar o evento na ONU nesta terça-feira, na madrugada e durante o dia, imagens com críticas a Bolsonaro foram projetadas no prédio da ONU. Nas imagens, é possível ler “Mentiroso, vergonha brasileira e desgraça”.
Um caminhão sendo dirigido pela cidade norte-americana também fez críticas ao presidente.
Disputa eleitoral na mente de Bolsonaro
O discurso de Bolsonaro foi permeado de acenos à comunidade internacional sem deixar de lado sua base eleitoral no Brasil.
Em entrevista à agência Sputnik, o pesquisador do Núcleo de Estudos Latino-Americanos (NEL) da Universidade de Brasília (Unb), Robson Cardoch Valdez, avaliou que o objetivo de Bolsonaro na ONU foi projetar internacionalmente uma imagem de recuperação econômica no Brasil.
Ele explicou que o discurso também foi pautado para consolidar o apoio de seu eleitorado para os possíveis cenários nas urnas.
“A disputa eleitoral estava na mente do governo do presidente Bolsonaro ao fazer esse discurso”, disse Valdez.
“É possível pensar que Bolsonaro esteja projetando seu capital político para além das fronteiras nacionais para que isso volte como capital político domesticamente e para que ele se mantenha como uma força política a partir de 2023, em uma eventual derrota eleitoral”, avalia.
*Com edição de Fonte Exclusiva. Leia e compartilhe as notícias do Diário da Guanabara.










