O senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vão disputar o segundo turno da eleição presidencial de 2026. O Tribunal Superior Eleitoral confirmou na noite deste domingo (4) que nenhum candidato poderia mais alcançar a maioria absoluta dos votos válidos necessária para encerrar a disputa no primeiro turno.
Com 99,4% das seções apuradas, Flávio Bolsonaro aparecia com 47,15% dos votos válidos, equivalente a cerca de 55,9 milhões de votos. Lula registrava 45,01%, com aproximadamente 53,4 milhões. A diferença naquele momento era de cerca de 2,5 milhões de votos.
Os dois candidatos voltarão a se enfrentar nas urnas em 25 de outubro.
Flávio supera percentual de Jair Bolsonaro em 2018
O desempenho de Flávio Bolsonaro no primeiro turno de 2026 também estabelece uma comparação histórica dentro do próprio campo político da família. Em 2018, Jair Bolsonaro terminou o primeiro turno com 46,03% dos votos válidos e 49,27 milhões de votos.
Na parcial de 99,4% deste domingo, Flávio alcançava 47,15%, portanto mais de um ponto percentual acima do resultado obtido pelo pai no primeiro turno de 2018. Também ultrapassava a marca de votos absolutos registrada por Jair naquela eleição.
A comparação, porém, precisa considerar que o eleitorado brasileiro é maior em 2026. Neste ano, aproximadamente 158,7 milhões de pessoas estavam aptas a votar.
Segundo turno abre nova etapa da disputa
A partir do resultado deste domingo, a campanha presidencial entra em uma nova fase. Flávio Bolsonaro e Lula terão três semanas para disputar diretamente os votos dos eleitores que escolheram outros candidatos, votaram em branco ou anularam o voto no primeiro turno.
Os demais concorrentes ficaram distantes dos dois primeiros colocados. Na apuração divulgada durante a noite, Augusto Cury (Avante) aparecia em terceiro lugar, seguido por Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD).
O resultado do primeiro turno, por si só, não permite projetar o vencedor da segunda votação. A nova etapa terá campanha própria e ocorre com apenas os dois candidatos mais votados.
Brasil chega ao segundo turno em meio à mudança no mapa regional
A eleição brasileira acontece em um período de mudança na composição política da América Latina. Nos últimos anos, candidatos identificados com diferentes vertentes da direita ou centro-direita venceram eleições em vários países da região.
Chile, Bolívia e Equador estão entre os países que passaram a ser governados por lideranças classificadas nesse campo político. Em 2026, a Colômbia e o Peru também elegeram presidentes de direita, ampliando a presença desse espectro entre os governos latino-americanos.
No Peru, Keiko Fujimori venceu a eleição presidencial em junho. Poucos dias antes, Abelardo de la Espriella havia sido eleito na Colômbia. Levantamentos publicados após esses resultados apontavam que governos de direita ou centro-direita haviam passado a comandar a maioria dos países latino-americanos.
A mudança regional, entretanto, não determina o resultado brasileiro. Analistas ouvidos antes da eleição destacavam que fatores domésticos, como economia, avaliação dos governos, alianças políticas e características próprias do eleitorado, continuam tendo peso específico na disputa nacional.
Senado também entra no foco
As Eleições 2026 também renovam dois terços do Senado Federal, com duas vagas em disputa em cada estado e no Distrito Federal. Por isso, além da corrida presidencial, a composição do Congresso será um dos principais componentes políticos do resultado deste domingo.
A configuração definitiva do Legislativo dependerá da totalização dos votos para Senado e Câmara dos Deputados em todo o país.
No caso do Senado, a renovação de 54 das 81 cadeiras pode alterar significativamente a correlação de forças na Casa a partir de 2027. A nova composição terá participação direta na votação de projetos, propostas de emenda à Constituição, indicações para tribunais superiores e outras decisões que dependem da aprovação dos senadores.
O que acontece agora
A campanha do segundo turno começa com um cenário diferente do primeiro. Lula e Flávio passam a disputar diretamente o eleitorado dos demais candidatos e terão novo período de propaganda eleitoral.
O segundo turno está marcado para domingo, 25 de outubro. Para vencer, será necessário obter a maioria dos votos válidos, sem considerar votos brancos e nulos.
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