O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro afirmou nesta sexta-feira (29), em entrevista ao canal do YouTube Rede Comunica Brasil, que se considera um “exilado político” e que é alvo de perseguição no Brasil. A declaração foi dada ao comentar a decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras.
Durante a entrevista, Eduardo agradeceu o apoio de aliados que estiveram com ele nos Estados Unidos. Ao citar fotos tiradas com apoiadores, afirmou que essas pessoas também estariam se colocando “em risco”. Em seguida, usou uma metáfora para defender união política contra adversários, chamando-os de “tiranetes de beira de estrada”.
“Obrigado a todos vocês que estiveram nos EUA, mesmo sabendo que sou um exilado político altamente perseguido no Brasil”, declarou o ex-deputado. Ele também disse que, quando apoiadores aparecem publicamente ao seu lado, ajudam a formar uma força coletiva contra o que classificou como perseguição.
A fala ocorreu em meio à repercussão da decisão do governo Donald Trump de incluir PCC e Comando Vermelho na lista norte-americana de organizações terroristas estrangeiras. Segundo a Associated Press e a Reuters, o Departamento de Estado dos EUA anunciou que a medida passa a valer a partir de 5 de junho de 2026. Até lá, os grupos também passam a ser tratados como “terroristas globais especialmente designados”, categoria que permite restrições financeiras e sanções contra redes associadas às organizações.
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou que as facções representam ameaça transnacional à segurança dos Estados Unidos. A decisão foi anunciada após articulações de figuras da oposição brasileira nos EUA, incluindo o senador Flávio Bolsonaro, que esteve em Washington e defendeu a classificação das facções como organizações terroristas.
No Brasil, o tema divide avaliações políticas e jurídicas. A classificação pode facilitar bloqueio de bens, restrições financeiras, deportações e medidas de cooperação internacional contra integrantes ou apoiadores das facções. Por outro lado, integrantes do governo brasileiro e especialistas manifestaram preocupação com possíveis impactos sobre a soberania nacional e com o risco de uso político da medida.
PCC e Comando Vermelho são apontados por autoridades e estudos de segurança como as maiores facções criminosas do Brasil, com atuação ligada ao tráfico de drogas, armas, lavagem de dinheiro e redes transnacionais. A decisão norte-americana insere as facções brasileiras em um novo patamar de atenção internacional e deve ampliar o debate sobre segurança pública, cooperação policial e relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos.
A declaração de Eduardo Bolsonaro, ao se apresentar como “exilado político”, também adiciona tensão ao debate político interno. O tema deve continuar repercutindo entre governo, oposição, Congresso Nacional e especialistas em segurança pública, especialmente diante dos efeitos práticos da medida dos Estados Unidos a partir de junho.
*Compartilhe este conteúdo do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Rio de Janeiro.











