O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) voltou a criticar, nesta sexta-feira (14), a decisão do Supremo Tribunal Federal que formou maioria para transformá-lo em réu por coação no curso do processo envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro. Em postagens nas redes sociais, o parlamentar afirmou que o ministro Alexandre de Moraes teria atuado de forma intencional para enquadrá-lo criminalmente e, assim, abrir caminho para uma eventual inelegibilidade em futuras disputas eleitorais.
Segundo Eduardo Bolsonaro, o crime apontado pelo STF pressupõe o uso de algum instrumento de pressão ou de uma ação ilegal capaz de influenciar autoridades — algo que, de acordo com ele, não ocorreu. O deputado afirmou não ter poder para impor tarifas comerciais nem solicitar a aplicação da Lei Magnitsky, medidas citadas nas investigações como possíveis tentativas de influenciar decisões do governo brasileiro a partir dos Estados Unidos. Para o parlamentar, essas ações “não estão ao meu alcance”, o que afastaria a possibilidade de coação.
Ele também alegou que a condução do inquérito revelaria uma tentativa de afastá-lo da cena eleitoral por meio da Lei da Ficha Limpa. Na avaliação do deputado, Moraes estaria usando sua posição no STF para “intervir no tabuleiro político” e restringir o avanço da direita na disputa pelo Senado em 2026.
A maioria formada no plenário do Supremo considera que declarações públicas de Eduardo Bolsonaro teriam buscado intimidar ministros da Corte e interferir no julgamento do processo que envolve seu pai. Ao consolidar o placar, Alexandre de Moraes afirmou que o parlamentar mobilizou membros do governo norte-americano para pressionar o Brasil com medidas como tarifas de até 50% sobre produtos nacionais, cancelamento de vistos e eventual aplicação da Lei Magnitsky contra o próprio ministro.
Para o relator, as articulações apontam para uma estratégia coordenada para influenciar o andamento do processo no tribunal. Com a decisão, o caso entra agora na fase de instrução, etapa em que serão coletadas provas e depoimentos antes do julgamento final.
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