O último debate entre os principais candidatos ao governo do Estado do Rio de Janeiro antes do primeiro turno colocou segurança pública, transporte, corrupção e desenvolvimento econômico no centro das discussões. O encontro foi realizado pela TV Globo na noite desta terça-feira (29) e reuniu Eduardo Paes (PSD), Anthony Garotinho (Republicanos), William Siri (PSOL), Douglas Ruas (PL) e André Marinho (Novo).
Ao longo de quatro blocos, os candidatos apresentaram propostas e fizeram críticas às administrações estaduais e municipais. Também entraram na discussão temas como educação, saneamento, geração de empregos, violência contra a mulher e a presença de grupos criminosos em diferentes regiões do estado.
Transporte abre primeiros confrontos
A mobilidade foi um dos primeiros assuntos a provocar confronto direto. Douglas Ruas questionou Eduardo Paes sobre projetos de transporte e citou dificuldades enfrentadas diariamente por moradores da Região Metropolitana.
Paes, por sua vez, destacou intervenções realizadas durante suas administrações na Prefeitura do Rio, entre elas a recuperação do sistema BRT e a implantação de terminais de integração. Ruas respondeu cobrando projetos anteriormente anunciados.
O debate acabou avançando para uma disputa sobre a responsabilidade pela situação do transporte público fluminense, com Paes associando Ruas à administração estadual anterior e o candidato do PL direcionando críticas às promessas feitas pelo adversário em outras eleições.
Emprego e formação profissional entram na pauta
Eduardo Paes e William Siri protagonizaram outro confronto ao discutir geração de emprego e qualificação profissional.
Siri defendeu uma política de reindustrialização do estado, com criação de novos polos produtivos e ampliação da presença das universidades públicas em regiões consideradas estratégicas.
Paes apresentou como uma das propostas a expansão do ensino profissionalizante, associada a medidas para atrair empresas e investimentos privados para o Rio de Janeiro.
Saneamento provoca divergências
O futuro da Cedae e dos serviços de água e esgoto também apareceu no debate. William Siri e Anthony Garotinho defenderam mudanças na atual estrutura do saneamento no estado.
Garotinho afirmou que pretende questionar judicialmente contratos relacionados às concessões realizadas no setor. Durante o mesmo momento do debate, o ex-governador também falou sobre sua situação eleitoral.
Horas antes do encontro, o TRE-RJ havia mantido o indeferimento de seu registro de candidatura. A defesa informou que pretende recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral. Enquanto existem recursos pendentes, a candidatura permanece em discussão na Justiça Eleitoral.
Corrupção eleva temperatura do debate
Um dos momentos de maior tensão ocorreu no confronto entre Anthony Garotinho e André Marinho.
A discussão começou em torno da dívida do Estado do Rio e avançou para acusações relacionadas ao histórico político dos candidatos. Garotinho defendeu medidas adotadas durante sua passagem pelo governo fluminense, enquanto Marinho questionou a trajetória política do adversário.
As alianças partidárias e os vínculos dos candidatos com diferentes grupos políticos também apareceram repetidamente no programa. Paes foi questionado sobre sua relação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, enquanto Ruas recebeu críticas pela ligação política com integrantes de administrações estaduais anteriores.
Educação divide candidatos
Na área de educação, André Marinho questionou Douglas Ruas sobre o desempenho do estado em indicadores de ensino.
Ruas apresentou entre suas propostas a ampliação de escolas cívico-militares e medidas de valorização dos profissionais da educação. Os candidatos também discutiram formação técnica e expansão do acesso à educação profissionalizante.
Outro confronto envolveu William Siri e Ruas, desta vez sobre relações de trabalho e a jornada 6×1. Os dois defenderam posições diferentes sobre como eventuais mudanças poderiam afetar empregados e empresas.
Violência contra a mulher entra no confronto
A política de enfrentamento à violência contra a mulher também ganhou espaço.
Questionado por Douglas Ruas, Eduardo Paes citou iniciativas desenvolvidas na Prefeitura do Rio e afirmou que pretende ampliar programas estaduais de proteção, além da estrutura de atendimento especializado.
O confronto ficou mais tenso quando Ruas mencionou episódios envolvendo aliados políticos de Paes. O candidato do PSD contestou as acusações apresentadas durante o debate.
Segurança pública domina reta final
A segurança pública ganhou protagonismo nos blocos finais.
André Marinho perguntou a Anthony Garotinho como o estado poderia recuperar territórios submetidos à influência de organizações criminosas.
Garotinho defendeu uma estratégia envolvendo investigação, inteligência policial, ocupação territorial e posterior implantação de serviços públicos e programas sociais.
Marinho sustentou que o governo estadual deve exercer participação direta na coordenação das políticas de enfrentamento às facções.
O avanço do crime organizado e sua eventual relação com agentes públicos também apareceu nos embates entre Garotinho e William Siri. Os dois associaram parte da crise de segurança do Rio a problemas históricos de corrupção e infiltração de grupos criminosos nas estruturas do estado.
Interior também entra na discussão
O terceiro bloco reservou espaço para questões relacionadas ao interior fluminense. Já na etapa final, os candidatos retomaram assuntos de livre escolha e voltaram a apresentar propostas para saúde, educação, mobilidade e desenvolvimento econômico.
O formato adotado permitiu que cada participante administrasse um banco de minutos para perguntas, respostas, réplicas e tréplicas.
Com o primeiro turno marcado para domingo, 4 de outubro, o encontro encerrou a sequência de debates televisionados desta etapa da disputa pelo Palácio Guanabara.
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