O escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), firmou um contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master, atualmente alvo de investigações por fraudes no sistema financeiro nacional.
O acordo previa uma remuneração mensal de R$ 3,6 milhões por três anos, entre 2024 e 2027. No entanto, com a liquidação extrajudicial do Banco Master determinada pelo Banco Central, os pagamentos foram interrompidos. As informações foram reveladas inicialmente pelo jornal O Globo.
Segundo o contrato, o escritório da família Moraes atuaria na representação da instituição financeira em temas relacionados ao Banco Central, Receita Federal, Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Também havia previsão de acompanhamento de projetos no Congresso Nacional considerados de interesse do banco.
Viviane Barci de Moraes teria participado, por exemplo, da elaboração de uma queixa-crime apresentada em abril de 2024 por Daniel Vorcaro — dono do Banco Master — contra o investidor Vladimir Timmerman, da Esh Capital. No total, onze advogados assinam o documento, incluindo os filhos do casal, Alexandre e Giuliana Barci de Moraes.
Na ação, Vorcaro acusa Timmerman de calúnia ao supostamente atribuir ao banco participação em “operações fraudulentas entre a Gafisa e o Fundo Brazil Realty”. A defesa alegou que as declarações tinham o objetivo de “macular a honra” do empresário e da instituição. O Master, porém, perdeu o processo tanto na primeira quanto na segunda instância.
A reportagem procurou o escritório da família Moraes, o gabinete do ministro e representantes do Banco Master, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria.
Investigação
Daniel Vorcaro, presidente do Banco Master, é apontado como suspeito de integrar um esquema de emissão de títulos de crédito falsos, sendo investigado por crimes como gestão fraudulenta, gestão temerária e participação em organização criminosa.
O empresário se tornou conhecido no mercado financeiro pelo perfil agressivo de investimentos e pela oferta de CDBs com rentabilidade acima da média do setor — estratégia que já gerava preocupação entre especialistas e instituições concorrentes.
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