O ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, anunciou nesta quinta-feira (28) a desistência da pré-candidatura ao Senado Federal. A decisão foi divulgada por meio de um vídeo publicado nas redes sociais e ocorre em meio ao avanço de investigações da Polícia Federal envolvendo a relação de integrantes de sua gestão com o Banco Master e o grupo Refit, ligado ao empresário Ricardo Magro.
Nos bastidores do Partido Liberal (PL), a permanência de Castro na disputa já vinha sendo considerada inviável diante do desgaste político provocado pelas operações da Polícia Federal e pelo temor de contaminação da imagem do partido no Rio de Janeiro.
Segundo apurações divulgadas pela imprensa nacional, Castro comunicou pessoalmente sua decisão ao presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.
A desistência ocorre após o ex-governador se tornar alvo de duas operações da Polícia Federal em menos de duas semanas. As investigações apuram possíveis irregularidades envolvendo aportes bilionários do Estado do Rio de Janeiro ao Banco Master, além de suspeitas de favorecimento ao grupo Refit em esquemas ligados ao setor de combustíveis.
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Outro episódio que ampliou a pressão sobre Castro envolve o imóvel onde reside atualmente, uma cobertura de alto padrão na Barra da Tijuca. O imóvel está registrado em nome de uma empresa ligada ao ex-secretário estadual Mauro Farias, que presidiu o Proderj e posteriormente assumiu a Secretaria de Transformação Digital do governo fluminense.
Durante sua passagem pela administração estadual, Mauro Farias esteve à frente de uma estrutura considerada estratégica dentro do governo, com orçamento estimado em R$ 1,5 bilhão. Sob sua gestão ficaram concentradas contratações de tecnologia, aquisição de equipamentos e a administração de sistemas ligados às secretarias, fundações, autarquias e empresas públicas do Estado.
O avanço das investigações também aprofundou o isolamento político do ex-governador dentro do PL. Integrantes da legenda avaliavam que a manutenção da candidatura poderia atingir diretamente o projeto eleitoral do senador Flávio Bolsonaro no estado. Nos bastidores, nomes como os deputados federais Sóstenes Cavalcante e Carlos Jordy passaram a ser cogitados como alternativas para a disputa ao Senado.
Além das investigações em curso, Cláudio Castro já enfrenta problemas na Justiça Eleitoral. O ex-governador foi declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em março deste ano, em decisão relacionada a abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. Mesmo após a condenação, ele vinha afirmando que manteria a intenção de disputar o Senado.
A saída de Castro da corrida eleitoral representa mais um capítulo da crise política que atinge o núcleo do antigo governo fluminense. A tendência é que o avanço das investigações da Polícia Federal amplie ainda mais a pressão sobre ex-integrantes da administração estadual e sobre aliados políticos ligados ao grupo que comandou o Palácio Guanabara nos últimos anos.
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