Em entrevista ao Jornal Nacional da TV Globo, o candidato à Presidência Ciro Gomes (PDT) defendeu o uso de consultas diretas à população (plebiscitos), a taxação dos super ricos e se comprometeu a não tentar reeleição, caso vença o pleito eleitoral de outubro.
O candidato foi entrevistado nesta terça-feira (23) e ao ser questionado sobre a promessa de pagamento de auxílio de R$ 1 mil para famílias vulneráveis, afirmou que buscará como fonte de custeio a ampliação de tributos sobre grandes fortunas.
A taxação de grandes riquezas, segundo ele, ficaria restrita às fortunas superiores a R$ 20 milhões.
“Somente 58 mil brasileiros têm um patrimônio superior a R$ 20 milhões, o que quer dizer o seguinte: cada super rico no Brasil vai ajudar a financiar, com R$ 0,50 apenas, de cada R$ 100 de sua fortuna, a sobrevivência digna de 821 brasileiros abaixo da linha da pobreza”, disse o candidato do PDT, acrescentando que essas famílias são as de domicílios que ganham até R$ 417 por pessoa mensalmente.
O candidato destacou que essa proposta seria parte um novo modelo de previdência para o país, unindo o Benefício de Prestação Continuada (BPC), a aposentadoria rural, o seguro-desemprego e programas de transferência de renda como o Auxílio Brasil. Ciro diz que vai unir as políticas e “transformar num direito previdenciário constitucional”.
Plebiscitos e reeleição
Ciro defendeu a adoção de plebiscitos para driblar a necessidade de o presidente se submeter às lideranças do Congresso Nacional para avançar com propostas sensíveis.
Ele também criticou as alianças dos presidentes brasileiros desde a redemocratização com o Centrão.
“É um modelo, uma tentativa de libertar o Brasil de uma crise que corrompeu organicamente a Presidência da República. Transformou a Presidência da República em uma espécie de esconderijo do pacto de corrupção e fisiologia do Brasil”, disse.
O chamado Centrão é um grupo do Congresso Nacional formado por congressistas do campo da direita que costumam se aliar ao Planalto em troca de cargos e recursos federais. Essa negociação faz parte do que se convencionou chamar de presidencialismo de coalizão.
Crítico do modelo, Ciro Gomes se comprometeu na entrevista a não tentar reeleição caso vença o pleito contra seus adversários em outubro. O candidato do PDT acredita que a busca pela reeleição amplia a corrupção ao atrelar a ambição pelo segundo mandato às escolhas e alianças do governo.
Próximos entrevistados
Os presidenciáveis Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Simone Tebet (MDB) também serão entrevistados pela emissora nesta semana. O presidente Jair Bolsonaro (PL) foi entrevistado na segunda-feira (22). A ordem das entrevistas foi decidida por meio de sorteio.
Lula participará da série de entrevistas na quinta-feira (25). Já Tebet estará no Jornal Nacional na sexta-feira (26).
De acordo com o critério da emissora, os convidados para a entrevista são os mais bem colocados nas pesquisas eleitorais. Na mais recente pesquisa Datafolha, Lula liderava com 47% das intenções de votos, seguido de Bolsonaro com 32%, Ciro Gomes com 7%, e Simone Tebet com 2%.
*Da Sputnik com edição da Agência VIU!. Leia e compartilhe as notícias do Diário da Guanabara.











