Cerca de cinco mil itens classificados como possíveis conteúdos de nudez foram identificados nos dados extraídos dos celulares de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
O material integra o conjunto de informações apreendidas pela Polícia Federal e compartilhadas com gabinetes de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
A existência dos arquivos foi divulgada no domingo (20 de setembro) pelo jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo. Os registros aparecem na categoria denominada “Score nudez”, utilizada para identificar materiais que podem conter imagens íntimas ou cenas de conteúdo sexual explícito.
A descoberta acrescenta uma questão de privacidade às investigações relacionadas ao banqueiro, uma vez que o material encaminhado à Corte reúne informações de diferentes naturezas, incluindo dados pessoais que podem não ter ligação com os fatos investigados.
A classificação dos arquivos, por si só, não comprova a existência de crimes nem esclarece quem são as pessoas eventualmente retratadas nas imagens.
Cinco ministros receberam cópias dos dados de Vorcaro
A Polícia Federal disponibilizou o conteúdo extraído dos dispositivos a integrantes do Supremo Tribunal Federal.
Até a divulgação das informações, cinco ministros haviam recebido cópias dos arquivos: André Mendonça, Alexandre de Moraes, Luiz Fux, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes.
O material reúne registros obtidos durante a análise dos aparelhos apreendidos nas investigações relacionadas a Vorcaro e ao Banco Master.
A consulta aos dados permite que os magistrados examinem informações eventualmente relevantes para os procedimentos sob análise da Corte.
Entretanto, a presença de arquivos de natureza pessoal amplia a necessidade de cuidados com o acesso, o armazenamento e a circulação das informações.
Mendonça e Fux relataram problemas para acessar arquivos
O compartilhamento dos dados também apresentou dificuldades técnicas.
Os ministros André Mendonça e Luiz Fux informaram à Polícia Federal que não conseguiram consultar integralmente o conteúdo recebido.
Diante dos problemas, os magistrados solicitaram auxílio para acessar os arquivos disponibilizados pela equipe responsável pela extração.
O volume e a diversidade dos dados exigem recursos específicos para permitir a abertura, a organização e a consulta das informações.
A dificuldade relatada pelos ministros ocorre em um momento de ampliação do acesso ao material apreendido durante as investigações do caso Banco Master.
Nunes Marques pediu acesso após menção a seu nome
O ministro Nunes Marques também solicitou à Polícia Federal uma cópia dos dados extraídos dos celulares de Daniel Vorcaro.
O pedido foi apresentado na quinta-feira (17), depois que Flávio Dino mencionou a possibilidade de existirem referências ao nome do magistrado entre as informações apreendidas.
Até a divulgação das informações, Nunes Marques ainda aguardava o recebimento dos arquivos.
A eventual presença do nome de uma autoridade em mensagens, documentos ou outros registros não demonstra, isoladamente, participação em irregularidades.
Para estabelecer a relevância de qualquer referência, é necessário examinar o contexto em que ela aparece e sua possível relação com os fatos investigados.
Conteúdo íntimo exige cuidados com privacidade e sigilo
A identificação de aproximadamente cinco mil itens na categoria “Score nudez” coloca em discussão os limites do compartilhamento de informações pessoais obtidas durante investigações criminais.
A apreensão de um celular pode permitir o acesso a grande quantidade de dados, incluindo conversas particulares, fotografias, vídeos e documentos sem relação com o objeto da investigação.
Por isso, a análise do material precisa distinguir informações de possível interesse investigativo de conteúdos pertencentes exclusivamente à vida privada das pessoas envolvidas.
A divulgação da quantidade de arquivos classificados como nudez não permite identificar quem aparece nas imagens, como os registros foram produzidos ou se existe alguma irregularidade relacionada a eles.
A classificação também não significa necessariamente que todos os itens tenham sido individualmente confirmados como imagens de nudez ou conteúdo sexual explícito.
Compartilhamento de arquivos mantém atenção sobre o caso Master
A extração dos aparelhos de Daniel Vorcaro permanece entre os elementos examinados nos desdobramentos das investigações relacionadas ao Banco Master.
Com o envio de cópias a diferentes gabinetes do STF, os dados passaram a integrar uma discussão que envolve tanto o acesso às informações quanto a necessidade de preservar o sigilo de registros pessoais.
Enquanto André Mendonça e Luiz Fux aguardam a solução dos problemas técnicos relatados à Polícia Federal, Nunes Marques busca receber o conteúdo solicitado.
A presença de milhares de itens classificados como possíveis imagens íntimas acrescenta uma preocupação sobre a proteção de informações que podem não ter relação com os fatos apurados.
O desafio das autoridades é assegurar o acesso aos elementos relevantes para as investigações sem permitir a exposição indevida de dados pessoais de Vorcaro ou de terceiros mencionados nos arquivos.
*Compartilhe este conteúdo do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Estado do Rio.











