O compartilhamento institucional de informações entre a atual gestão do Governo do Estado do Rio de Janeiro e o Ministério Público fluminense tem contribuído para ampliar as investigações sobre suspeitas de corrupção na administração estadual. A avaliação foi apresentada pelo procurador-geral de Justiça, Antonio José Campos Moreira, durante entrevista coletiva realizada pelo MPRJ.
Segundo o chefe do Ministério Público, foi estabelecido um fluxo para que notícias de fato e indícios de irregularidades identificados em auditorias estaduais sejam encaminhados aos órgãos responsáveis pela apuração. Campos Moreira afirmou que a cooperação ocorre com independência entre as instituições e permite aprofundar investigações com base em fatos concretos.
A coletiva tratou da ação penal relacionada ao Instituto Rio Metrópole, o IRM. O Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal denunciou 11 pessoas por organização criminosa, corrupção passiva, fraude em licitações e contratações e lavagem de dinheiro.
A operação resultou na prisão preventiva de seis agentes públicos e no cumprimento de nove mandados de busca e apreensão em endereços localizados na capital, em São Gonçalo e em Teresópolis. Os denunciados ainda serão julgados, e as acusações apresentadas pelo Ministério Público estão sujeitas à análise do Poder Judiciário.
Esquema teria movimentado R$ 86,28 milhões
De acordo com a denúncia, os investigados teriam utilizado contratos firmados pelo Instituto Rio Metrópole entre julho de 2022 e maio de 2026 para promover o desvio de recursos públicos. O valor movimentado pelo suposto esquema foi estimado em R$ 86,28 milhões.
A investigação aponta que duas empresas contratadas pelo IRM transferiam parte dos recursos recebidos para o Instituto BIO. Segundo o MPRJ, a entidade não possuía estrutura operacional compatível com os serviços contratados.
O dinheiro teria sido transferido para uma conta pessoal, retirado em espécie e transportado com o apoio de uma empresa de escolta armada. Para os investigadores, a dinâmica teria sido adotada para dificultar o rastreamento dos valores.
As apurações também identificaram 28 transferências das empresas contratadas para o Instituto BIO, que somaram R$ 3,29 milhões. Entre maio de 2025 e janeiro de 2026, teriam ocorrido 13 saques em espécie, no total de R$ 3,02 milhões.
Auditorias serão encaminhadas ao Ministério Público
Durante a coletiva, representantes do Governo do Estado informaram que foi criado um fluxo permanente de auditorias sobre contratos e despesas com pessoal. Quando os trabalhos identificarem sinais de irregularidades, os documentos deverão ser encaminhados ao Ministério Público para avaliação e eventual abertura de investigações.
O procurador-geral ressaltou que a apuração envolvendo o IRM já havia começado antes do recebimento das informações enviadas pelo Executivo. No entanto, segundo ele, a documentação compartilhada posteriormente permitiu ampliar e aprofundar o trabalho investigativo.
O MPRJ também pediu à Justiça o bloqueio de bens dos denunciados e das empresas envolvidas até o limite de R$ 86,28 milhões. A ação requer ainda o pagamento solidário de R$ 200 milhões por danos morais coletivos, além da suspensão dos contratos investigados e do afastamento dos agentes públicos denunciados.
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