O governo brasileiro recusou os pedidos de visto apresentados por dois integrantes do Departamento de Estado dos Estados Unidos que pretendiam viajar a Brasília nos próximos dias. A decisão foi tomada em meio à preocupação de autoridades nacionais com uma possível tentativa de interferência no debate político antes das eleições presidenciais marcadas para outubro.
A delegação seria formada por Riley M. Barnes, secretário assistente do Escritório de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho do Departamento de Estado, e Samuel Samson, subsecretário assistente da mesma estrutura do governo norte-americano. Os pedidos foram apresentados ao consulado brasileiro em Washington e rejeitados pelo Brasil na sexta-feira (24).
Ao solicitar a documentação, os representantes informaram que pretendiam participar de encontros com autoridades relacionadas ao processo eleitoral brasileiro. Não foram divulgados oficialmente, porém, os nomes dos agentes públicos, instituições ou representantes políticos que fariam parte da agenda em Brasília.
Segundo fontes do governo brasileiro ouvidas sob condição de anonimato pela Reuters e pelo jornal The Washington Post, havia indícios de que a missão poderia ser utilizada para levantar suspeitas sobre a segurança e a legitimidade do sistema eletrônico de votação adotado no país.
As autoridades brasileiras consideraram que a viagem poderia produzir material político destinado a questionar o processo eleitoral. Uma das fontes afirmou que a decisão de negar os vistos foi baseada em informações que apontavam para uma possível exploração política do tema e para uma tentativa de enfraquecer a confiança nas instituições eleitorais.
O Departamento de Estado confirmou ao jornal norte-americano que Barnes e Samson planejavam viajar a Brasília, mas não detalhou a finalidade dos encontros nem esclareceu se o governo dos Estados Unidos possuía alguma preocupação formal com a integridade das eleições brasileiras. A pasta também não havia apresentado resposta pública às informações divulgadas pela Reuters até a publicação da reportagem.
Sistema eleitoral volta ao centro do debate
A movimentação ocorre em um momento de retomada das discussões sobre as urnas eletrônicas. Autoridades eleitorais brasileiras e missões internacionais de observação têm reiterado a confiabilidade do modelo utilizado pelo país.
De acordo com representantes brasileiros na Organização dos Estados Americanos, as missões internacionais realizadas no Brasil desde 2018 consideraram o sistema seguro e capaz de produzir resultados legítimos. Especialistas em acompanhamento eleitoral também classificam o processo brasileiro como um dos mais robustos da América Latina.
As urnas eletrônicas já foram alvo de questionamentos políticos em eleições anteriores, embora não tenham sido apresentadas provas de fraude capazes de comprometer os resultados divulgados pela Justiça Eleitoral.
A recusa dos vistos representa mais um episódio de tensão diplomática entre Brasília e Washington. As relações entre os dois países vêm sendo afetadas por divergências comerciais, políticas e institucionais, além de posicionamentos do governo norte-americano sobre questões internas brasileiras.
A concessão de vistos é uma atribuição soberana de cada país. Com a negativa, Barnes e Samson ficam impedidos de cumprir a agenda planejada no Brasil, salvo se houver uma revisão da decisão ou a apresentação de um novo pedido aceito pelas autoridades brasileiras.
*Compartilhe este conteúdo do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Rio de Janeiro.











